Terror no Espaço - Análise Histórica e Crítica de 'Alien: A Ressureição'

 

Terror no Espaço

ALIEN: A Ressureição

 
 

A História:

Alien: A Ressureição é um filme americano de 1997 dirigido pelo diretor francês Jean-Pierre Jeunet, o mesmo que dirigiu o clássico francês "Amélie", e o quarto filme da franquia alien. Mesmo sendo inferior aos dois primeiros filmes da saga, Alien: A Ressureição é superior ao fracassado Alien 3 e também responsável por salvar a franquia de um total colapso.
 
A história se passa 200 anos depois do terceiro filme e novamente se foca na protagonista Ripley. Esta foi clonada por cientistas do Corpo de Fuzileiros Coloniais, juntamente com a Rainha Alien, e transformada num bichinho de estimação. Os fuzileiros criam mais aliens clonados, com a Rainha, mas, logo perdem o controle e são massacrados. Ripley escapa da confusão inicial, mas é forçada a se juntar a um grupo de piratas envolvidos com a produção dos aliens da imensa nave que carrega os seres horripilantes e não só escapar dela, mas também destruí-la para impedir que chegue na Terra.
 
 
Conheça a Auriga. Não é um cruzeiro cinco estrelas, mas se você gosta de emoção e terror, então recomendo que a visite antes que alguém a exploda. hahahahahaha.
 
 

A Origem:




Após o fracasso de Alien 3, os produtores da franquia já estavam satisfeitos com o que fizeram e decidiram concluir a saga de uma vez. Porém, a 20th Century Fox não estava satisfeita com o resultado do último filme e pediu para que preparassem um novo filme da franquia com a protagonista Ripley (mesmo sabendo que ela morreu de vez no terceiro filme).
 
Os produtores tentaram resistir a esse ideia maluca de fazer um quarto filme do alien, mas, a pressão do estúdio foi tão forte que eles acabaram cedendo. O primeiro roteiro foi feito pelo próprio estúdio. Os produtores odiaram o primeiro modelo e decidiram fazer seu próprio roteiro. Mas, o estúdio não gostou da nova história e decidiu contratar o roteirista profissional Joss Whedon (responsável por séries incríveis como "Buffy, a Caça Vampiros" e "Angel")
 
O novo roteiro de Whedon se passava na Terra, onde os aliens acabariam invadindo e forçariam um grupo de sobreviventes a lutarem por suas vidas. Mas, novamente o estúdio foi contra e pediu para Whedon modificar o roteiro e trazer de volta a personagem Ripley. Depois de um longo período de suspense, Whedon entregou a versão definitiva do roteiro e este a Fox aceitou. Ripley seria ressuscitada por clonagem, juntamente com os aliens. O caminho estava aberto para a produção de "Alien: A Ressureição".
 Esta é a Betty. Não é uma Millenium Falcon, mas esta banheira espacial pode salvar sua vida até mesmo nas situações mais perigosas.
 
 

As Tripulações da Auriga e da Betty:

Novamente os personagens são descartáveis, com exceção de Ripley e Call.
 
  • Ripley 8 (Sigourney Weaver): Clone da Ripley original. É misteriosa e possui o dna do alien em seu corpo.
  • Call (Winona Ryder): Tripulante da nave pirata Betty. É misteriosa e rebelde em relação aos outros membros da equipe. Tem um passado sinistro e um baita segredo.
  • Frank Elgyn (Michael Wincott): Capitão da Betty e líder dos piratas.
  • General Perez (Dan Hedaya): Comandante da Auriga e um dos mais altos oficiais dos Fuzileiros Coloniais.
  • Doutor Wren (J. E. Freeman): Líder da equipe científica dos Fuzileiros e responsável em trazer de volta à vida Ripley e a Rainha Alien.
  • Doutor Gediman (Brad Dourif): Cientista da Auriga e responsável em "domesticar" os aliens e Ripley 8.
  • Cabo Distephano (Raymond Cruz): Fuzileiro colonial da Auriga e responsável por defender os projetos secretos da corporação de possíveis curiosos. Acaba se juntando aos piratas quando descobre os podres da corporação.
  • Sabra Hillard (Kim Flowers): Piloto da Betty e amante de Frank.
  • Christie (Gary Dourdan): Pirata da Betty e o melhor amigo de Frank.
  • Johner (Ron Perlman): Pirata da Betty e um psicopata. É o alívio cômico do filme.
  • John Vriess (Dominique Pinon): Mecânico da Betty. Tem uma certa queda por Call.
  • Larry Purvis (Leland Orser): Um pobre colono que acabou sendo abduzido pelos piratas da Betty e usado como cobaia para a produção de novos aliens.
 
 

Aliens Mutantes:

Não é uma feira de ovos, mas se você estiver curioso, pode dar uma olhada. Garanto que nada vai grudar na tua cara.
 
Os ovos retornam em grande número. A coloração deles ficou mais amarronzada, por serem de uma geração de seres clonados, e estão mais orgânicos e vivos do que antes. Antes de se abrir, o ovo sacode de um lado para o outro, indicando que está sentindo a aproximação de uma potencial vítima. Os ovos foram construidos usando silicone e latéx.
 
E já é a quarta vez que esse bicho gruda na cara de alguém. Precisamos criar um anti-grude na cara.
 
Junto com os ovos, temos os velhos conhecidos facehuggers. Essas aranhas alienígenas só aparecem em uma cena, mas dão bastante tensão na situação que está ocorrendo no momento. Esses foram os aliens que sofreram nenhuma alteração genética, por serem clonados. É até mesmo impressionante que um desses parasitas tenta infectar a clone de Ripley, mesmo ela tendo o dna do aliens. Imagina o que poderia nascer nessa mistura? A criatura foi feita com marionetes e alguns movimentos mecânicos.
 
 
Olha como é um fofo. Tem a cara da mãe!
 
Outro alien conhecido é o chestbuster. A criatura volta ao seu formato original, mas está mais grotesco do que antes. O interessante é que tanto a rainha quanto os aliens normais ficam na mesma forma acima. Pode ser que por causa de serem clonados, os chestbusters não possuem uma diferença entre um e outro mesmo que sejam de castas diferentes. Foram usados marionetes e animatrônicos.
 
 
Vai querer brincar de beijar o bicho, vai. O resultado vai ser um grande buraco na tua cara.
 
Os aliens que aparecem no filme são os mais grotescos da saga até agora. Por serem clonados, esses aliens tem uma coloração amarronzada, mas seu design é parecido com o alien do primeiro filme. Eles são maiores que um humano, são mais rápidos e extremamente inteligentes. Mas, mesmo aterrorizantes, eles morrem com bastante facilidade. Talvez a clonagem tenha enfraquecido a carapaça das criaturas. Esses aliens também tem a habilidade de se juntar numa imensa massa orgânica com o intuito de proteger o ninho e sua rainha. Foram usados atores e pela primeira vez foram feitos em computador para algumas cenas de ação.
 
Se você viu Tubarão e ficou com medo do peixe comedor de gente, então você vai se apavorar com os aliens que adoram dar um mergulho lá na sua piscina.
 
Talvez a melhor cena do filme inteiro é a perseguição submarina. Na metade do filme, os sobreviventes são forçados a nadar pela cozinha para alcançar o outro lado da nave e chegar na Betty. De início tudo parece bem, mas dois aliens aparecem patrulhando o local e atacam os sobreviventes. Esse é o início dessa incrível cena. Pela primeira vez, os aliens eram criados por computador, pois usar um ator com a roupa alien foi muito complicado. Vemos como os aliens se movimentam com grande velocidade na água e como são letais ao atacarem suas presas. A cena foi totalmente feita num imenso tanque nos estúdios da Fox em Los Angeles. Demoraram 8 meses para fazer a cena e houve alguns incidentes, sendo o mais grave o quase afogamento de Winona Ryder, que não sabia nadar. Mas, no fim acabaram fazendo uma das melhores cenas e talvez a mais memorável do filme inteiro.
 
"Eu sou a Rainha da Galáxia".
 





A Rainha Alien retorna nesse quarto filme, mas ela só aparece duas vezes no filme inteiro. A cena mais importante é quando a rainha dá a luz uma nova forma de alien. Mal esse ser aparece no mundo alien, ele mata a Rainha, que estava muito cansada após o parto e se torna o novo grande monstro do filme. Foi usado um imenso animatrônico para fazer a rainha.

Isso que eu chamo de show dos horrores.
 

Uma das cenas mais pertubadoras do filme é quando Ripley 8 descobre as outras sete Ripleys que foram criadas numa fútil tentativa de clona-la. Os outros clones são extremamente grotescos, com uma mistura de dna alien e humano todos são horríveis visões do que Ripley poderia ter sido em algum pesadelo distante. Dos sete clones só um é encontrado com vida, que acaba pedindo para ser morta. Ripley 8 compreende a dor e o pavor de seus clones e elimina todos com uma baforada de lança-chamas. Foram usados bonecos para os clones mortos, enquanto a própria Sigourney Weaver fez o papel do sétimo clone que ainda estava vivo.

Esse não é o melhor encontro amoroso da galáxia que qualquer garota queria ter.
 
Um novo tipo de alien surge bem no fim do filme. Como já havia dito antes, a Rainha dá a luz ao Newborn. Esse alien possui uma mistura de seu dna com o dna humano de Ripley. É hemafrodita, mas não tem condições de se reproduzir. É extremamente alto, forte e muito violento. Ripley de iníco vê a criatura como uma ameaça para todos, mas quando finalmente se livra do monstro (essa parte é bem pesada) ela percebe que a criatura era só um bebê tentando entender o mundo em que estava. Foi usado um grande animatrônico para fazer o monstro.
 

Antigos Aliados = Novos Inimigos:

 Mesmo sendo fuzileiros coloniais, não quer dizer que sempre serão bons com as pessoas. Todos nós temos nosso lado sombrio.
 
Os fuzileiros coloniais retornam no quarto filme, mas não como aliados e sim como inimigos. Após o fracasso da Companhia nos eventos de Alien 3 e em outros lugares, a poderosa empresa acabou falindo e todos os seus departamentos foram comprados pelo Wallmart (é, parece loucura, mas acontece). Quando o departamento de Bio-Armas da Companhia foi aberto pelo Wallmart, tudo sobre os aliens e Ripley foram recuperados. Como o Wallmart não tinha nenhum interesse de se envolver com algo não natural, a poderosa empresa deu todo o acesso ao seu mais velho investidor: a Corporação dos Fuzileiros Coloniais. Com imensos recursos, os fuzileiros ficariam mais de 200 anos tentando ressucitar a já extinta espécie dos aliens. No filme vemos uma força muito bem preparada, treinada e equipada. Há 42 fuzileiros no filme. Uma pequena tropa é morta pelos piratas e o resto, com exceção de uma dúzia que escapa por um pod de fuga, é morto ou infectado pelos aliens. Mesmo sendo militares, esses caras são facilmente destruídos por alienígenas sangüinários.
 
 

Call, Um Novo tipo de Andróide:

Esse olhar deixa qualquer um com dúvida sobre a lealdade que essa máquina tem sobre a humanidade.
Como em todo o filme Alien temos que ter sempre um andróide. Dessa vez é uma mulher. O nome dela é Call. Ela é uma andróide construída por outros andróides e muito mais avançada. É que depois da queda da Companhia, todos os andróides que a corporação produziu foram abandonados. Os sobreviventes decidiram criar sua própria nação (em algum planeta bem longínquo) para continuar a viver em paz. Eles então começaram a construir novos andróides mais avançados e mais humanizados. É claro que nós humanos não gostamos de ter algum tipo de rival e decidimos acabar com essa nação. A maioria dos antigos andróides, mais os novos, foram destruídos pelo governo humano. Porém, alguns escaparam e decidiram se vingar da humanidade. Call obteve um livro proibido sobre um monstro que dizimou uma prisão e que foi destruído por um anjo (Alien 3). Após isso, Call invadiu os bancos de dados da extinta Companhia e soube que os Fuzileiros Coloniais haviam clonado Ripley e seus aliens. Call acreditava que sabotando essa operação humana, ela poderia ter sua justiça pelo massacre que os humanos promeveram contra seus antigos amigos sintéticos.
 
 
 

Análise Crítica:

Alien: A Ressureição pode até ser bastante odiado pela maioria dos fãs da saga alien, mas foi essencial em salvar a franquia após o desastre que foi Alien 3. A história é melhor que a anterior, mas longe dos originais. A atuação só é boa com Ripley e Call. O resto dos personagens são fracos e facilmente esquecíveis. Os aliens em si possuem um excelente design (menos o Newborn), mas não assustam ninguém. Os efeitos especiais são bons. A música é novamente a melhor parte do filme: profunda e sinistra. Uma coisa que eu não falei em Alien 3 foi a tentativa de estabelecer um equilíbrio entre o terror e a ação. No terceiro filme, a ação predominou e o terror em si sumiu. Já em Alien: A Ressureição, esse equilíbrio funciona em algumas partes do filme. Porém, o filme possui vários furos no roteiro e até mesmo diálogos desnecessários ou idiotas. O monstro final, Newborn, é talvez o maior erro do filme. É uma criatura pertubadora, mas não assusta ninguém e parece muito um bicho idiota e desnecessário para o final do filme. Os cenários são legais, mas de vez em quando eles enjoam com os mesmos formatos e cores entre as salas e os corredores da imensa nave. O final é fraco (a versão extendida tem um final alternativo melhor), mas não é tão épico quanto o final do terceiro filme.
 
 

Curiosidades:

  •  A cena onde Ripley faz uma cesta de costas demorou 3 semanas para dar certo. No último dia dessa cena, o diretor falou para Weaver que se ela errasse a cesta, ele faria uma bola de computador para completar a cena. Mas, do nada (e o que você vê é totalmente real) Weaver consegue finalmente fazer a cesta de costas. Porém, o diretor teve que cortar alguns frames, pois o personagem de Ron acabou tão impressionado que soltou um palavrão que não estava no roteiro.
 
  • Outro ator que quase morreu afogado na cena submarina foi Ron Perlman. Durante o fim de outro dia de filmagem, Ron estava saindo da piscina quando bateu a cabeça numa barra de ferro e desmaiou na água. Só não morreu pois havia uma equipe de resgate na piscina no momento do acidente.


  • A Rainha Alien usada no filme é na verdade a original do filme Aliens, O Resgate. A equipe conseguiu a autorização de um fanático colecionador em poder usa-la mais uma vez no novo filme.

Nota Final - 8 (Alien: A Ressureição não é um filme perfeito como os dois primeiros, mas, facilmente supera o desastroso Alien 3 com alguns sustos e uma história mais interessante que a anterior. Porém, é um filme que pode ser ignorado, pois, é uma história alternativa da saga original que finaliza no terceiro filme. O filme foi feito mais para se divertir do que apreciar outro capítulo deste épico universo de ficção científica. Somente recomendo para fãs da saga).



Bibliografia: