Terror no Espaço - Análise Crítica e Histórica de 'Alien 3'

 

Terror no Espaço

ALIEN 3

 

A História:

Alien 3 é um filme americano de 1992 da 20th Century Fox e o terceiro filme da franquia Alien. Dirigido pelo novato David Fincher, Alien 3 foi o maior pesadelo que a Fox teve em anos e que causou muitos atrasos para o lançamento do filme, por causa de conflitos entre o diretor e o estúdio que levaram o filme a se tornar um dos maiores fracassos da saga Alien.
 
Alien 3 se passa alguns dias após o fim de Aliens, O Resgate. A Sulaco carrega os sobreviventes de volta para a Terra. Porém, um alien (não me pergunte como foi que ele entrou na nave) interrompe a viagem e força os sobreviventes a se esconderem no planeta desolado de Fiorina "Fury" 161, que é na verdade uma prisão de segurança máxima da Companhia, habitada pelos piores prisioneiros que já existiram pela galáxia. Também a protagonista Ripley terá que enfrentar o maior pesadelo de sua vida dentro de seu corpo. A batalha final se aproxima.
 

A Origem:

 Não. Não é a Terra. É somente outro mundo desolado e inútil que existe só para criar mais problemas do que resolve-los. Bem-vindo a Fiorina "Fury" 161.
 
Em 1987, a 20th Century Fox já planejava um terceiro filme do Alien. A primeira tentativa foi com o diretor finlandês Renny Harlín que aceitou fazer o novo filme e ele mesmo escreveu o roteiro. Harlín queria fazer uma prequela sobre a origem dos aliens e seu planeta natal. Porém, a Fox estava mais interessada em continuar a saga de Ripley. Eles jogaram o roteiro de Harlín fora e chamaram seu próprio roteirista, William Gibson.
 
O roteiro de Gibson foi mais viajado que o de Harlín. A história se passaria numa estação espacial dividida por uma guerra entre revolucionários comunistas e agentes da Companhia. A Sulaco seria abordada pelos comunistas e um alien (não sei de onde surgiu esse bicho) infestaria a estação e todos deveriam se unir para destruir a ninhada que surgiu. Hicks era o protagonista, junto com Bishop, mas Ripley e Newt foram simplesmente deixadas de lado.
 
Porém, Harlín odiou o roteiro de Gibson e demitiu o roteirista da Fox do projeto. Em 1988, Harlín chamou seu amigo roteirista Eric Red para escrever uma nova história. O novo roteiro era ainda pior que o anterior. A história se passaria numa estação espacial americana, onde a Sulaco iria chegar e do nada milhares de aliens sairiam da nave e invadiriam a estação. Os protagonistas do filme anterior estariam todos mortos. A Fox é claro odiou o roteiro e demitiu Red do projeto.
 
Em 1989, a Fox trouxe outro roteirista para o projeto, David Twohy. David decidiu se focar na história escrita por Gibson, mas mudou o local para um planeta-prisão. Harlín não aceitou o novo roteiro e falou que se parecia muito com o filme anterior. Harlín brigou com a Fox e acabou abandonando projeto.
 
Mesmo sem um diretor no comando, a Fox decidiu seguir em frente e quase aprovou o roteiro de Twohy. Mas, o presidente do estúdio, Joe Roth, não gostou do sumiço da protagonista Ripley e ordenou novas mudanças no roteiro. Twohy não gostou de modificar seu roteiro, mas aceitou as ordens e incluiu Ripley na história.
 
Em 1990, a Fox chamou o diretor britânico Vincent Ward para assumir o comando do filme. Ward leu o novo roteiro de Twohy e declarou que o roteiro era uma porcaria. Twohy foi demitido do projeto e o próprio Ward decidiu escrever sua história.
 
O roteiro de Ward se focava numa estação espacial feita de madeira e habitada por monges (é parece que alguém fumou muita maconha para escrever isso). A Sulaco passaria perto da estação e por motivos desconhecidos lançaria um pod de fuga com Ripley dentro, juntamente com um alien (pelo amor de Deus, de onde brotam esses aliens nesses roteiros?). Os monges entram em desespero e tentam matar a criatura e queimar Ripley. Mas, no fim ganham a confiança da protagonista e derrotam o alien quando colocam fogo numa enorme plantação de cana de açúcar (isso é ridículo). Num último ato, Ripley se taca no fogo para terminar esse pesadelo que nunca teria fim.
 
A Fox adorou o roteiro de Ward, mas queria que o final fosse modificado com a protagonista sobrevivendo a luta final. Ward foi contra e não mudou o final. Para piorar, a equipe de produção não gostou da ideia de uma estação feita de madeira e habitada por monges. A Fox pediu para que Ward mudasse o ambiente para uma refinaria e que os habitantes fossem prisioneiros. Ward odiou tal proposta e se demitiu do projeto. Seu roteiro acabou engavetado, mas seu conceito seria conservado para a produção final do filme.
 
Em 1991, a Fox ordenou o início da produção de Alien 3, mesmo não tendo um roteiro em mãos ou até mesmo um diretor, e deu o prazo final para Maio de 1992. Foram os produtores Walter Hill e David Giler que decidiram escrever um novo roteiro. De início receberam a ajuda do roteirista-chefe da Fox, Larry Ferguson, mas a atriz Sigourney Weaver odiou o jeito em que a personagem dela, Ripley, era representada e pediu para que o roteiro fosse modificado. Ferguson odiou a intervenção da atriz e abandonou a produção do filme.
 
Hill e Giler então se focaram no antigo roteiro de Vincent Ward e modificaram a estação de madeira e seus monges por um planeta prisão e seus habitantes. A Fox finalmente aceitou o roteiro, mas este sofreria novas modificações durante as filmagens (quanta insanidade). A Fox também conseguiu um diretor eficiente para dirigir esse problemático filme. O diretor escolhido foi o novato e desconhecido David Fincher, que na época só fazia videoclipes musicais. Finalmente o filme estava salvo de ser cancelado.
 

 Os Habitantes de Fiorina "Fury" 161:

Tirando Ripley, o resto é carne fresca para o Alien. Que comece o massacre!
 
  • Elle Ripley (Sigourney Weaver): A sobrevivente  dos filmes anteriores retorna com um novo visual.
  • Dillon (Charles S. Dutton): Líder dos prisioneiros e um personagem curioso.
  • Jonathan Clemens (Charles Dance): Médico da prisão e apaixonado por Ripley (não se preocupe, essa paixão dura pouco tempo no filme).
  • Harold Andrews (Brian Glover): Supervisor da Prisão e um cara muito irritante.
  • Aaron (Ralph Brown): Assistente do Supervisor e muito "idiota".
  • Golic (Paul McGann): Um brutal e imprevisível serial killer.
  • Morse (Danny Webb): O personagem mais hilário do filme. Todas as cenas com esse cara são iradas.
  • Bishop e Bishop Weyland (Lance Henriksen): O ator volta como o androide destroçado no filme anterior e como o "cabeça" da maldita Companhia.
  • David (Pete Postlethwaite): O mais inteligente entre os presos, mas, também o mais covarde do grupo.
  • Júnior (Holt McCallany): Estrupador e assassino. Tenta lascar uma casquinha na nossa heroína, mas acaba levando um baita soco na cara.
  • Gregor (Peter Guinness): Estrupador e amigo de Júnior. Participa da tentativa de estrupo na Ripley, mas acaba sofrendo nas mãos de um enfurecido Dillon.

 

Um Novo Tipo de Alien:

Não me pergunte como esse ovo chegou aí. Como expliquei na origem do filme, o roteiro escolhido possuía muitos furos e esse é um deles.
 

O ovo retorna brevemente no início do filme. É a primeira vez que o ovo alien aparece pendurado numa parede. Mas, existe uma grande dúvida sobre como chegou na nave e quem ou que o colocou aí. Existem muitas teorias. Algumas falam que a rainha do segundo filme carregava esse ovo e o escondeu durante a luta final contra Ripley. Outras falam que foi o androide Bishop que o colocou sobre ordens da Companhia. Infelizmente nunca saberemos a resposta definitiva. Outro detalhe, esse ovo é menor em comparação aos anteriores e possui uma coloração mais amarronzada. Esse ovo é muito especial: é um ovo de rainha.

Não. Isso não é um escorpião. É outro daqueles seres que adoram dar longos e nojentos beijos na sua cara.
A primeira novidade no filme sobre o alien, é o novo tipo de facehugger introduzido na história. Se o ovo é de uma rainha, então a criatura dentro dele tem que ser muito importante. Apresento o Feacehugger Real. Esse novo tipo de infectador possui uma carapaça mais resistente e é capaz até mesmo de cuspir ácido. Essa criatura também pode infectar pelo menos duas vítimas. A primeira irá carregar uma rainha alien. Já a segunda irá carregar um alien que defenderá a rainha até ela crescer. O infectador também possui uma certa "inteligência", como a capacidade de se esconder de possíveis ameaças ou de distrair para poder alcançar um alvo mais tentador. Realmente os aliens são criaturas interessantes e formidáveis.
 
Que cachorrinho mais bonitinho. Vem aqui totó. Dê sua patinha. Agora quero um lá em casa.
 

 
Uma grande modificação que os produtores queriam era de ver uma nova forma do alien. Todos nós sabemos o que acontece quando um humano é infectado por um parasita. A criatura nasce com uma forma humanóide parecida com o hospedeiro. Mas, o que aconteceria se o hospedeiro do alien fosse um animal como o búfalo na imagem acima. Bem, nasceria algo como um Bambibuster (vide a imagem). Esse chestbuster nasce com o corpo completo do que na forma de uma minhoca. É rápido e pode até mesmo atacar com grande violência antes de trocar de pele. Foi utilizado um cachorro de verdade para os movimentos e depois uma marionete em tamanho natural para os efeitos especiais da época.
 

Se você tem problemas com assaltos ou roubos em sua residência e um pittbull não está funcionando, então ofereço um Cão Alien para resolver seus problemas.
 
O novo alien que surge no filme se chama Cão Alien, pois anda de quatro e parece uma mistura de cachorro com um guepardo. É extremamente ágil, inteligente e violento. Não precisa dos quatro tubos de respiração como os outros aliens e é o mais resistente de todos, capaz de sobreviver contra fogo, explosões e até mesmo uma piscina de aço derretido. Esse novo design foi criado pelo homem que criou o primeiro alien: H.R. Giger. Com a ajuda de Stan Winston, Giger pôde desenvolver a criatura que ele queria no primeiro filme. Um único ator foi usado para as cenas mais próximas, enquanto as cenas em que a criatura aparece por completo foi utilizada uma marionte controlada por quatro homens.
 
Pare de choramingar seu bicho maldito. Eu já vou trazer a sua mamadeira.
 





Outro tipo novo de alien aparece nos momentos finais dos filme quando a protagonista Ripley se taca num fosso de aço derretido para acabar de vez com os aliens. Durante o ato, uma rainha chestbuster explode em seu peito, mas não consegue escapar. Podemos ver por alguns segundos que a criatura já possui uma carapaça, pernas e braços. Isso mostra que uma rainha alien pode demorar dias ou semanas antes de nascer e crescer para fazer um novo ninho. Foi usada uma marionete.


O Último Ato de Bishop, O Andróide:

Ai. A pancada da queda deve ter doído muito para você Bishop. Ai. Ai. Ai.
 
Bishop, o andróide que foi destroçado no fim de Aliens, O Resgate retorna para uma breve e importante cena do filme. Ripley pede por informações do que realmente aconteceu na Sulaco. Bishop responde que um incêndio teve início. Ripley pergunta se algum alien estava abordo da nave e o andróide fala que sim. É aí que a coisa fica interessante. Na postagem que fiz do segundo filme alien, tentei explicar uma teoria sobre a funcionalidade de Bishop e sua lealdade diante dos seus companheiros. Aqui percebemos que Bishop sabia que havia um alien abordo (Como? Nunca saberemos) e não alertou a tripulação sobre a ameaça. Ele também fala que a Companhia sabe de tudo o que aconteceu na nave. Como a Companhia sabia que havia um alien à bordo da Sulaco, se esta estava fora de comunicação com a empresa? O único que teria condições de se comunicar com a Companhia seria Bishop. Com isso eu concluo (e isso é só a minha opinião) que Bishop era o tempo todo um espião da Companhia com o objetivo de obter um espécime para a Divisão de Bio-Armas da empresa.
 
 

A Companhia se Revela:

Não. Esse não é um novo modelo do Bishop. Esse é na verdade o desgraçado que está atrás dos aliens para te-los como bichinos de estimação lá na Terra.
 


Bem no fim do filme, após Ripley eliminar a ameaça do Cão Alien, a Companhia aparece pela terceira vez e encurrala a nossa heroína. A equipe é liderada por um dos chefões da empresa, Karl Bishop Weyland. Ele foi o criador do andróide Bishop e também líder da Divisão de Bio-Armas da Companhia. De início Ripley acredita em Karl, que promete eliminar a rainha que ela carrega. Mas, depois percebe a pervesidade e ganância nos olhos de Karl e recua para uma plataforma. Antes de seu suicídio, Karl entra em desespero e tenta convencer Ripley que o alien é um ser incrível e que precisa ser compreendido para poder ser domesticado para a causa humana. Ripley ignora e simplesmente se sacrifica para acabar com o pesadelo que a perseguia a anos. Karl percebe que perdeu sua luta pela criatura e desiste de perseguir o seu maior objetivo, a captura de um espécime, e retorna para o mundo corporativo com as mãos vazias.


Se você acha o alien perigoso, então você não está preparado para enfrentar esses caras da Companhia. Eles irão fazer de tudo para obter o que querem.
 

A equipe que acompanha Karl Weyland até Fiorina não é só formada por médicos e cientistas, mas também por mercenários fortemente armados e que só sabem fazer uma coisa: completar a missão que foi dada a eles. É também a primeira vez que vemos as forças armadas da Companhia num filme. Esses caras carregam fuzis automáticos, o mesmo modelo usado pelos fuzileiros coloniais do filme anterior, e granadas. São altamente treinados e usam armaduras bem resistentes. Durante o clímax do filme, quando Ripley nega a "ajuda"de Weyland, os mercenários decidem persuadia-la usando a força. Eles atiram na perna de Morse e tentam também atingir Ripley. É nesse momento que você percebe que esses caras não obedecem nem mesmo a Karl Weyland, que em total desespero entra na frente desses soldados e pede para não atirarem mais. Essa grande revelação sobre a face da Companhia mostra o quão insano essa empresa vai fazer para obter os aliens como bio-armas. É bem pertubador.


Curiosidades:

  • Durante a produção, David Fincher, o diretor, foi proibido de filmar uma extensa cena entre Ripley e o Alien no esgoto da prisão. A desculpa do estúdio foi a falta de tempo para filmar a cena. Fincher desobedeceu a ordem, agarrou Sigourney Weaver e metade da equipe de produção e filmou a cena escondido do estúdio. Acabou sendo colocada na versão final do filme.

  • Para David Fincher, Alien 3 foi seu pior filme. Os motivos para o fracasso foram as constantes interferências que o estúdio fazia para modificar o roteiro. No último mês de produção, Fincher ficou tão nervoso que acabou abandonando o filme. Mas, em 2003, ele retornou para ajudar a fazer a versão estendida do filme que acabou sendo melhor que a original.

  • Antes mesmo das filmagens iniciarem, a Fox já havia gastado 7 milhões de dólares em cenários que nunca apareceram na versão final do filme.

Análise Crítica:

Alien 3 foi o filme que me introduziu no Universo do Alien e do Predador. Na época considerava um filme épico e divertido. Mas, com o passar dos anos, percebi cada vez mais que o filme é muito ruim e fraco comparado aos anteriores. A atuação é fraca, menos de Sigourney Weaver. Os efeitos especiais são medíocres. Os cenários da prisão acabam sendo muito enjoativos e irritantes. O alien é um ser interessante e seu novo design é épico. A música é o ponto mais forte do filme inteiro. A história é a pior da saga. Ainda bem que em 2003, David Fincher ajudou a lançar a versão extendida do filme. Essa versão é superior a versão original, mas fica ainda muito longe dos dois filmes anteriores. Entre as duas versões, eu recomendo a extendida.


Nota Final - 6 (Alien 3 é um filme importante para a saga alien, ele não deve ser esquecido. Mas, não espere por um grande filme como os dois anteriores. Como disse antes, a melhor versão para ver esse filme é a extendida de 2003. É um filme razoável. Torça para que o próximo não siga o mesmo caminho.)


Bibliografia: