Thor's Day - Ragnar Lodbrok

Olá caros leitores asgardianos!

Hoje, em nossa viajem ao período entre os séculos VIII e IX, vamos contar a história de Ragnar Lodbrok, obviamente buscar trazer algo de real sobre a vida desse antigo rei dos nórdicos. Trazida a ficha desse notável personagem, vou deixar em aberto às comparações com o personagem da série do History Chanel, para que, você caro leitor, tire suas próprias conclusões se, o Ragnar da série é uma boa encarnação do Ragnar real.




Linhagem de Ragnar Lodbrok

Como já falei no começo, Ragnar Lodbrok ou como é apresentado na série Ragnar Lothbrok (eu prefiro com "d" no lugar de "th" ... então vou manter assim no texto, pois está numa forma mais real), foi um rei do fim do século VIII, que teve seus domínios passando por Dinamarca e Suécia. O sobrenome Lodbrok, na real, foi um apelido (que como vamos ver serem comuns entre os guerreiros nórdicos, e na maioria das vezes, muito pouco gloriosos kkk), que significava "Calças Peludas", não se tem muitas explicações do por que desse apelido, mas a verdadeira origem de Ragnar, segundo especialistas vem da dinastia de Yngling

Provavelmente nosso notável personagem, somente ganhou muito respeito entre os nórdicos, pois era pertencente a essa dinastia, que reinou na Suécia durante o século I d.C. até IV d.C. Os Ynglingos, tinham sua sede na cidade de Uppsala (não escondo caro leitor, que era meu sonho estudar nessa cidade... porém a vida às vezes não toma o curso que queremos), sendo seu primeiro monarca Yngve Frej, atribuindo a ele dessa forma, o responsável pela unificação das etnias Sveas, Sueca e Norueguesa. O último monarca Yngling foi Ingjald Illråde, o qual foi morto em um incêndio criminoso, juntamente com sua filha Åsa, o que finalizou o ciclo dos monarcas de Uppsala. Claramente, mesmo com a morte dos chefes de uma dinastia, ainda existem membros secundários, que ao longo dos anos continuam a se perpetuar nas sombras, uma vez que seria muito perigoso cobrarem destaque em meio as pessoas, pois seriam mortos pelos chefes da nova dinastia. Dessa forma os descendentes de Ragnar permaneceram vivos até o século IX, onde o nome dos Ynglingos teria voltado a tomar força.

Ynglingos assassinando reis, queimando-os em suas casas, detalhe que o último dos reis Yngling foi assassinato dessa maneira em forma de vingança. Arte por Hugo Hamilton.

Podemos ver então, que no período em que Ragnar surgiu, o nome dos Yngling já era considerado como lendário, sendo que, o grande historiador Saxo Grammaticus montou uma série de documentos que contava a saga desses reis. Hoje podemos atribuir o panteão nórdico, ou seja, os próprios deuses, como alusões a essa dinastia, logo, quem pertencesse a linhagem, obviamente teria uma grande importância. Também existe a possibilidade de que Ragnar foi considerado um Yngling devido às suas ações, ou seja, existe uma dicotomia nessa parte da história. O próprio Saxo Grammaticus e também algumas fontes dinamarquesas contam que Ragnar era filho do rei sueco Sigurd Ring (750 d.C), que venceu a batalha de Bråvalla, ascendendo assim, ao trono da Dinamarca.

Então, caro leitor, podemos notar que Ragnar Lodbrok não era um qualquer, mas sim, herdeiro do que conhecemos hoje como Dinamarca e Suécia.




Feitos de Ragnar Lodbrok

Depois de falar sobre a linhagem desse personagem, podemos iniciar um levantamento sobre suas ações, porém, aqui é onde a coisa fica mais complicada ainda, pois era muito comum atribuir grandes feitos a grandes sujeitos. Dessa forma, muitas coisas são atribuídas a Ragnar Lodbrok, filho de Sigurd Ring. 

Mas vamos nos prender às que possuem um pouco mais de veracidade. Existem fontes que contam uma grande invasão à França, onde Ragnar era seu líder, passando em saqueando todas as cidades, na maioria das vezes em datas cristãs, pois o povo se encontrava desguarnecido. Isso mostra que, provavelmente Ragnar teve contato com a religião cristã em algum período, o que é mostrado na série com a presença de Athelstan e sua grande influência sobre a personalidade de Ragnar.

Os escassos documentos contam que 5000 nórdicos, liderados por Ragnar adentraram o terreno dos Francos pelas praias e cruzando rios e, foram pilhando as cidades até chegarem a Paris, onde o se encontraram com o rei dos Francos, Charles, o Calvo. O monarca Franco ofereceu ao exército nórdico um montante em prata muito grande, em torno de 7000 libras (uma fortuna na época e hoje também), o que comprou o não incendiar da cidade. Mesmo assim, Ragnar voltou diversas vezes a Paris.

Depois de atacar e causar um prejuízo absurdo aos francos, tanto monetariamente quanto psicologicamente, Ragnar e seu exército cometeram um grande erro, que foi mirar a ilha de Alba, atual Inglaterra (Gram bretanha). A ideia dele era imortalizar seu nome como o maior conquistador, sendo que, nesse período dois de seus seis filhos já estavam começando a ficarem tão temidos quanto ele. Para se manter superior aos seus filhos na história, Ragnar tentou invadir os domínio do rei da Aella II da Notumbria, porém dominar uma ilha não é algo trivial, pois existe a necessidade de uma grande esquadra. Outro problema é que uma ilha possui pontos de observação em todas as direções, o que ajuda na organização da defesa, pois torna-se fácil a observação de agressores que se aproximam.

O rei Aella possui poucos registros históricos, mas sabe-se que era um tirano e reinou de 866 d.C a 867 d.C e que enfrentou ataques de dinamarqueses e, ganhando importância por ser o algoz de Ragnar. 

Sobre a morte de Ragnar Lodbrok existem duas versões pertinentes, a primeira foi nas mãos de Aella (vou explicar a seguir como se deu) e, a segunda ele teria morrido de cólera em uma batalha tentando invadir Paris. Era comum por parte dos romanos jogarem roupas contaminadas com doenças em rios, que corriam em direção aos inimigos, a fim de causarem um surto no exército oponente e então enfraquece-los. Provavelmente os francos podem ter usado dessa estratégia, uma vez que os nórdicos entravam ao leito de rios saqueando as cidades. Ficavam próximos aos rios pois não podiam marchar sem reservas de água.

Já a teoria da morte de Ragnar pelas mãos de Aella ganhou importância, pois conseguiu montar o chamado "Grande Exército Pagão", que rumou à Alba em busca de vingança. Obviamente o intuito era expandir o território nórdico. Para conseguirem organizar um poderoso exército, Ivar Ragnarson (Ivar o desossado) e Björn Järnesida (Björn Ironside), diziam que iriam vingar seu pai, morto por Aella. A história conta que Ragnar foi capturado pelos bretões e jogado dentro de uma cova cheia de serpentes, onde sua morte foi assistida por Aella. Também é dito que Ragnar lutou horas com as serpentes, que picavam-no sem para, então todo inchado e paralisado pelo veneno ele sucumbiu, porém, preferiu lutar até o fim para conseguir sua ida ao Valhalla, uma vez que somente quem cai em batalha poderia ter o salvo conduto para o palácio de Odin.

Assassinato de Ragnar Lodbrok pelo rei Aella na cova das serpentes - arte de Yolanda Perera S'nchez

Obviamente, a morte pela mão de Aella é muito mais gloriosa do que cair doente por tomar água contaminada por fezes de pessoas com cólera, por isso, essa morte na cova das serpentes é mais contada dentre os escandinavos até hoje e, provavelmente foi o que motivou o ataque à York em 21 de novembro de 866, sendo que Aella veio a falecer em 21 de março de 867 em batalha contra os dinamarqueses. 



Família de Ragnar Lodbrok

Ragnar foi casado três vezes, com Lagherta, Tora Borgarhjört e Aslaug, sendo sua primeira esposa a mais importante entre às três. Lagherta era uma norueguesa, que se torna esposa de Ragnar após uma traumática invasão de um Earl (título de Duque) às terras onde ela morava. Esse Earl se chamava Frø e era jurado de morte por Ragnar, pois foi o algoz de seu avô. Frø matou também os homens da família de Lagherta e, ordenou que todas as mulheres fossem levadas para um prostíbulo. Porém o Earl não sabia que Ragnar vinha com um exército até sua posição na Noruega em busca de vingança. Nem Frø e nem Ragnar não imaginavam que encontrariam pessoas na Noruega que mudariam suas vidas. 

Durante a chegada surpresa do exército Ragnar, houve a fuga das mulheres do prostíbulo, fantasiadas de homens, que correram para dentro do exército de que chegava de surpresa, sendo que participaram do combate contra o exército de Frø. Segundo a lenda, Ragnar se interessou na guerreira e a cortejou, porém, chegando em sua casa, estavam na porta um urso e um grande cão, os quais nosso personagem foi obrigado a mata-los com sua lança e, assim, conquistou Lagherta. Os dois tiveram três filhos, sendo um menino com o nome Friedlief e duas meninas que não se sabe o nome.

Outra famosa esposa de Ragnar foi Aslaug, que era filha de guerreiros que morreram em batalhas, sendo que foi criada por seu tio. Sabendo da beleza da menina e, que isso podia trazer problemas, seu tio construiu uma grande arpa, onde a escondia na parte interna e, andava pelos vilarejos como um simples músico. Chegando na Noruega, um casal garante abrigo ao músico a fim de mata-lo e roubar alguma preciosidade que podia ter dentro do instrumento. Porém quando o fazem e então, abrem a arpa, eles descobrem a pequenina. Esse casal (Áke e Grima) adotam a menina e a dão o nome de Kraka (Corvo). Por causa de sua beleza, o casal costumava passar alcatrão em sua pele e vesti-la com um capuz, com finalidade de esconderem sua beldade. Até que chega um dia em que ela se banhava em um rio e servos de Ragnar a veem. Dessa forma sua beleza chega aos ouvidos do guerreiro sueco, que pede para mandarem uma mensagem, onde ela deveria vir até ele, desnuda, porém não nua, acompanhada e desacompanhada e faminta mas sem fome. 

Ragnar recebendo Aslaug - Arte por August Malmström

Esse era um teste para saber se a moça além de bela era inteligente. Aslaug ou Kraka surgiu na frente de Ragnar trajando uma rede de pesca, com uma cebola na boca e acompanhada de um cão. Ragnar achou genial e pediu para desposar a moça, porém, a mesma só aceitou, quando ocorreu o fim da campanha da Noruega. Junto de Auslag, Ragnar teve quatro filhos, sendo um deles um dos responsáveis pela invasão da Notumbria, Ivar o desossado, além de Ragnvald, Hvitserk e Sigurd.

Os filhos de Ragnar Lodbrok são outra questão à parte, uma vez que muitos personagens importantes em campanhas de dinamarqueses e suecos são tidos como seus filhos, ou seja, em muitos casos foram atribuídos aos guerreiros seus sobrenomes para que ganhassem o status de líder. Dentre os principais supostos filhos de Ragnar Lodbrok temos:
Ivar Ragnarson (Ivar o desossado), Björn Ironside, Halfdan Ragnarson, Sigurd Ragnarson, Ubba Ragnarson, Ragnvald, Hivtserk Ragnarson.



Série do History Chanel

Alguns dos personagens que citamos nesse texto e que estão presentes na série.

Ragnar Lodbrok é representado pelo ator australiano Travis Fimmel.




A bela Katheryn Winnick (canadense) atua como Lagherta e a não menos bela Alyssa Sutherland (australiana) como Auslag, logo abaixo respectivamente.




Bjorn é representado pelos jovens atores Nathan O'Toole (irlandês) e depois por Alexander Ludwig (canadense), respectivamente abaixo.




Ragnar e seus filhos: Respectivamente, Marco Islø (Hvitserk), Alexander Ludwig  (Björn), Alex Høgh Andersen (Ivar, o desossado - notem que tem um problema nas pernas, por isso o apelido), Travis Fimel (Ragnar Lodbrok), Jordan Patrick Smith (Ubbe) e David Lindstron  (Sigurd).




Rei Aella II da Notumbria (Ivan Kaye)




Althestan é representado pelo ator inglês George Blagden.




Família Lodbrok - Ragnar, Björn e Lagherta



Para você caro leitor, que leu até esse ponto, preferi mostrar uma visão mais específica do personagem Ragnar Lodbrok e não de seu legado. Nos próximos posts eu pretendo falar mais sobre alguns outros personagens da série e, talvez quem sabe, quebrar algum paradigma!