Thor's Day - Yggdrasil: O Grande Cerne do Universo - Simplória árvore e abertura para um pensamento quântico!

Em toda minha vida sempre fui inclinado a gostar muito de mitologia, pois cresci dentro de uma família muito religiosa, porém ao mesmo tempo, sempre gostei de ciências e, obviamente (provavelmente não tão óbvio para a maioria das pessoas), religião e ciências se dialogam bastante, dessa forma busquei alguma coisa onde eu poderia trabalhar com essas vertentes.

Hoje sou químico com mestrado em quântica pelo Instituto de Química de São Carlos e, juntamente com outro amigo iniciamos um projeto (que atualmente se encontra estagnado, porém não morto!) de produção da bebida dos deuses, o chamado Hidromel, uma bebida que extrapola o mito para se tornar histórica. Esse projeto, batizamos de Yggdrasil, que nada mais é que a imensa árvore que conecta os nove mundos da mitologia nórdica, ou seja, corresponde ao cerne do universo.

Fizemos rótulo para as garrafas, criamos receitas e já estávamos iniciando a propaganda do produto, quando entramos no mestrado e por isso tudo ficou parado. Mesmo assim, tenho uma garrafa de hidromel aqui em casa, já está envelhecido em dois anos... e estar com um aroma e sabor excelente!

O hidromel em si é uma bebida grega e não nórdica, mas que se espalhou por toda a Europa, sendo muito apreciada na Escandinávia. Diz na Edda Poética (livro em versos que conta narra a mitologia nórdica) que Odin sentava-se a mesa junto do panteão e mesmo com um jantar farto, ele somente bebia hidromel, jamais comia qualquer coisa. Se levarmos em conta que Odin era o mais sábio dentre os deuses, devia haver um bom motivo para ele se sustentar somente com esse néctar feito de água, mel e uma espécie de fermento.

Obviamente, como um químico e grande apreciador dessa bebida, eu poderia passar informações de como fazer o néctar dos deuses para você caro leitor, porém, não é bem sobre essa deliciosa bebida que quero me prolongar nessa coluna de hoje, vamos deixar isso mais pra frente. Na realidade eu quero falar sobre a estrela do rótulo de nosso fermentado, ou seja, a Yggdrasil, que como mencionei anteriormente é o cerne do universo.

A seguir vou passar a ideia básica de como essa gigantesca árvore dividia e segurava todo o cosmo, porém, como sou um físico-químico, tratarei uma visão minha em relação a junção de religião, senso comum e antiga ciência sobre esse assunto, ou seja, vou tentar traduzir o que os antigos pensavam, para uma visão mais moderno-científica.

Primeiramente vamos entender como a Yggdrasil se dividia, usarei um esquema de cores para nomear os mundos, existentes na seguinte gravura que fiz para o rótulo de nosso produto:


Yggdrasil e os nove mundos segundo os nódicos: Asgard, Ljusalfheim, Muspelhein, Midgard, Vanahein, Svartalfheim, Niflheim, Jotunheim e Helheim
(Arte: Israel Rosslyn)

Na sua copa se encontra ASGARD (o imediato ao Olimpo grego, o mundo dos deuses e dos imortais), LJUSALFHEIM (Mundo dos elfos claros) e MUSPELHEIM (Mundo do Fogo - coroa solar). 



No seu tronco se encontram MIDGARD (Mundo dos Homens), VANAHEIN (Mundo dos Vanir, deuses ligados com fenômenos naturais) e SVARTALFHEIM (Mundos dos elfos escuros - trolls e orcs). 


E nas raízes se encontram mais 3 mundos NIFLHEIM (Mundo do gelo eterno), JOTUNHEIM (Mundo dos gigantes de gelo e de rocha - imediato aos titãs gregos) e por fim HELHEIM (Mundo dos mortos - comandado por  Hel ou Hela, filha de Loki).



Algumas outras curiosidades sobre a estrutura da Yggdrasil:

Entre as raízes se encontra uma gigantesca serpente chamada Nidhogg, O Devorador de Cadáveres, que roí as mais profundas raízes, com finalidade de destruir Yggdrasil e então começar o Ragnarok.

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Dizem que os frutos e folhas da Yggdrasil são protegida pelas Valkirias, pois no fruto da mesma se encontra a solução de todas as perguntas e nas folhas a cura de qualquer mal.

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              Algumas considerações de cunho mais filosófico e quântico sobre a Yggdrasil

Se paramos para pensar em uma forma inicial de se compreender o universo, nós vamos olhar para cima e observar um firmamento imenso que se estende em todas as direções, um céu tão grande que nem mesmo o sol ou a lua são maiores que ele, logo uma coisa tão grande necessita de uma outra coisa poderosa para manter tudo em ordem. 

O que poderia ser tão grande a ponto de manter o céu lá em cima sem desabar sobre a Terra (no caso é uma visão direta de Midgard), somente uma árvore possuí uma organização perfeita para isso, uma vez que um grande emaranhado de galhos, cheios de folhas, tem um efeito muito semelhante com o céu noturno. Imaginem olharmos para sol, porém, estando por debaixo de uma frondosa árvore, vamos somente notar alguns pontos de luz vazando entre as folhas, trazendo um efeito muito semelhante ao firmamento noturno, onde podemos ver pequenos pontos de luz, os quais denominamos estrelas.

Logo acaba ficando claro o porque de considerar uma árvore como o grande cerne do universo, pois seus galhos eram capazes de abraçarem o todo, na mente das pessoas. Essa é uma forma simples de se explicar o uso da árvore, agora se pensarmos de forma física, também torna-se propício a interpretação de uma frondosa árvore como alicerce universal. 

Vamos pensar agora que existam diversos mundos, ou dimensões, que são puramente autônomos um dos outros, porém que se comunicam entre si pela única coisa imutável, ou seja, o tempo. Cada galho da árvore, dessa forma, seria uma dobra de espaço-tempo, onde quem conseguisse encontrar caminhos, que podemos simbolizar por ramos, encontraria diversas entradas para outros mundos e dimensões, tornando assim, livre a passagem desse indivíduo. Se pensarmos que, Thor e Loki eram personagens que tiveram diversas aventuras que descreviam as suas indas e vindas pelos nove mundos da Yggdrasil, cientificamente, podemos chegar à conclusão de que, os escandinavos, já pensavam em teorias complexas como a Ponte de Einstein-Rosen (Buraco de Minhoca) e até mesmo no Emparelhamento Quântico por que não...

Todas essas coisas somente nos mostram que a capacidade humana de observação pode ser muito sofisticada já de início, mas que ao longo tempo, vai sendo reescrita até que se torne trivial uma metodologia de pesquisa para explicar tal fato... Logo, dentro dos conceitos científicos habitam preceitos da chamada pseudociência,