Thor's Day - Vamos falar de Vikings, começando pelo nome!

Caro leitor, a partir de hoje vou montar uma análise (sem spoilers) da série irlando-canadense Vikings, do canal History (sim!... nem tudo para eles são alienígenas... uma piadinha sapeca, só para descontrair!)

Essa série tem, ao meu ver, além de buscar a audiência, também o grande intuito de quebrar certos paradigmas em relação à cultura dos povos do norte gelado da Europa. Alguns paradigmas como o fato de retratarem esses povos como bárbaros sujos e de pouca inteligência, que só sabiam atacar, pilhar, destruir, matar e rumar para outro povo vizinho, afim de reiniciar o terror, se fosse assim mesmo, por que então os escandinavos são povos tão civilizados hoje em dia? ... a cultura não seria presente ainda hoje? Outra mística que se tenta quebrar é em relação à imagem do nórdico, como aquele brutamontes que usava um elmo de chifres, que é uma confusão iniciada com Richard Wagner em sua ópera "O Anel dos Nibelungos", onde se retrataram celtas como nórdicos, já que os elmos com chifres ou asas eram mais impactantes que simples elmos cônicos.

Então, caro leitor, vamos começar primeiramente pelo nome da série, que é onde não teve uma quebra dessa mística frente ao povo do Norte, ou seja, o título da série tem mais caráter de:

"Ah, todo mundo já conhece os nórdicos com Vikings... então vamos deixar assim mesmo!"

Você pode notar que em momento algum, me referi aos nórdicos como Vikings e, obviamente isso tem uma explicação, que é a seguinte:

O termo Viking não é de origem dos povos da Escandinávia, mas sim de regiões mais centrais da Europa, sendo que o termo servia para definir as pessoas que moravam em regiões mais costeiras do continente, ou seja, era a mesma coisa que falar que quem mora em Brasília é Candango e quem mora no Espírito Santo é Capixaba. 

Muitas vezes vejo pessoas com o termo VIKING tatuado no corpo e, então pergunto a essas pessoas se elas sabem o que significa tal palavra. A maioria enche a boca e diz que são os guerreiros sem medo do norte, e ficam muito felizes em dizer isso (tanto que tem olhinhos que até brilham). Dessa forma, eu não costumo expor meu ponto de vista, pois não quero ofender a ninguém, então costumo falar... "Que legal hein!" ... e geralmente consigo um novo amigo que curte hidromel... (uma atitude bem nórdica, diria-se de passagem!), mas vamos ver a seguir que não é bem isso o que o termo em sua raiz etimológica quer dizer.

Logotipo da série. Notem que é presente os típicos trançados que remetem aos afrescos e alegorias nórdicas. Essas alegorias sempre buscando muita simetria e características geométricas.

Na real, não existe uma explicação do por que se usar o termo Viking para os nórdicos, uma vez que os próprios se autodenominavam escandinavos ou mesmo nórdicos. Uma teoria para isso é que "Vik" quer dizer "enseada" e, então um Viking seria que vivia perto da praia. Porém esse termo era mais comum no período para designar comerciantes que usavam barcos ou quem fazia pirataria, fato esse muito comum por parte dos nórdicos. Fora isso era muito comum diversos povos (entre eles os ingleses, que sofreram muito com as invasões nórdicas) chamarem tanto noruegueses e suecos de dinamarqueses, logo era até mais comum ver os guerreiros do norte se autodenominando como dinamarqueses ou mesmo Geatas (em nórdico antigo Gautar, que era o povo de Götaland - atual Suécia), do que Viking. 

Dessa forma, o termo Viking, ao meu ver, acaba sendo até pejorativo para os povos da região. Seria o mesmo que falar que todos os povos da Ásia oriental são chineses. Não estou dizendo que ser chinês é pejorativo, mas utilizar o termo como generalista, acaba por excluir as diferenças que definem um povo... E garanto a você caro leito, um japonês ou um coreano não gostam de serem chamados de chineses, por dizerem que são todos iguais. Logo, creio eu, que é mais educado da nossa parte chamar um povo pelo o termo que se autodefinem, pois essa é uma forma de valorização cultural.


Abertura de Vikings - A música se chama If I had a heart. Foi composta pela suéca Karin Dreijer Andersson, que usa o pseudônimo de Fever Ray em sua carreira solo.

Obviamente, só estamos no começo dessa análise que vamos fazer da série, achei interessante iniciar pela quebra dessa mística que existe em torno do termo Viking, mas nessas próximas semanas vamos entrar mais profundamente nos personagens que são apresentados lá. Essa análise não vai ser das ações dos personagens na série, mas sim, do que existe de realidade sobre tais sujeitos e, assim determinarmos o que é mais fantasioso ou cinematográfico.

Sei que você, caro leitor, pode ter ficado decepcionado ao fim desse texto, uma vez que me prendi ao nome da série, sem ao menos comentar sobre Ragnar Lothbrok e sua trupe, mas como já mencionei, esse é somente o primeiro texto e acredito que, quanto mais conhecermos sobre cultura em geral, mais coerente são e serão nossas críticas.