Thor's Day - Týr o deus da coragem, justiça e batalha - Um dos mais lembrados no Heavy Metal.

Devido ao fato de estar com o braço direito engessado, resolvi falar de um deus nórdico, que acabou por passar por uma irritação semelhante a essa que passo hoje!

Então, nesse dia de Thor, vou falar sobre um dos meus deuses favoritos, o deus da coragem, da luz, da justiça e da batalha... o poderoso Týr, ou Týrr , ou Tywaz, ou ainda Ziu.


Sacrifício de Týr, arte por John Bauer em 1911.


Meu braço engessado empunhando o glorioso machado nórdico - Só pra descontrair :)

Týr é um Aesir (deuses ligados a fenômenos naturais - a guerra era considerada um fenômeno natural), que possui uma ligação direta com um dos filhos de Loki, o gigantesco lobo Fenrir, que discutiremos a seguir. Porém inicialmente vamos montar uma ficha técnica desse deus.

A genealogia de Týr, segundo a Edda Poética, se dá proveniente de Hymir, o que lhe garante o posto de ser mais antigo que Odin, sendo que, para algumas vertentes, ele é considerado como o deus patrono dos nórdicos. Já na Edda em Prosa, ele aparece como sendo filho de Odin com Frigga, a deusa do amor, o que lhe coloca em mesma posição de Thor, como um príncipe dentre o panteão. 

Logo a única certeza que temos em relação a esse deus é que sua fama é muito antiga, sendo que o mesmo tem uma runa que o simboliza. Essa runa geralmente é encontrada em armas como espadas, lanças e machados utilizados em batalhas. O formato dessa runa é uma seta apontando para cima.

Tiwas a runa que representa Týr

Existe também o fato de que Týr é uma alusão a Ares na mitologia grega e a Marte na mitologia romana, o que lhe trouxe grande apelo entre as pessoas, que necessitavam de uma figura forte para trazer coragem frente às guerras. Devido a esse fato, Týr ganhou muita popularidade, sendo que hoje, ainda é relembrado seu mito no terceiro dia da semana nos países de línguas anglo-saxônicas, como o inglês por exemplo - Tuesday ou em sueco e norueguês - Tisdag.   

Agora vamos discutir o fato mais icônico de Týr, um fato presente também em Odin e Mimir, que é o sacrifício de uma parte do corpo. O chefe do panteão sacrificou o olho direito e se auto-imolou na Yggdrasil, em busca de conhecimento supremo e Mimir uma orelha. Entretanto o corajoso Týr teve parte de seu antebraço direito decepado pela ira de Fenrir.

A lenda conta que Fenrir não podia ser contido por nada, quaisquer fossem os grilhões que tentassem conter o lobo titânico, acabavam se esfarelando frente a monstruosa força da besta. E sabendo da importância que Fenrir teria no Ragnarok, o panteão resolve pedir aos anões que construíssem algo mágico para evitar que o lobo se soltasse e trouxesse o crepúsculo dos deuses antes do esperado. Dessa forma os anões modelaram e teceram uma corda de seda que não poderia ser rompida facilmente, sendo mais poderosa que qualquer corrente já feita. Essa corda recebeu o nome de Gleipnir e era feita de coisas que não poderiam existir, porém como os anões de Svartalfhein eram conhecedores de coisas estranhas, os deuses resolveram dar uma chance a Gleipnir.

Gleipnir era composta por seis coisas distintas, sendo elas: o som do passo de um gato, o fio da barba de uma mulher, as raízes de uma montanha, os tendões de um urso, a respiração de um peixe e a saliva de uma ave. Todas essas coisas juntas garantiam a essa corda dos anões uma poderosa mágica que permitia a mesma ser praticamente indestrutível.

Então os deuses atraíram o monstruoso lobo para uma ilha, conhecida como Lyngvi bem no centro do lago Amsvartnir e lá mostraram a corda para Fenrir, que ao vê-la lança um olhar de deboche, permitindo que os deuses o envolvam na mesma, porém, com finalidade de amansar a besta, Týr dá um passo a frente e coloca seu braço dentro da boca de Fenrir, que a mantém aberta como se estivesse a zombar dos deuses.

Então, notando que a corda começou a apertar e seus movimentos ficaram extremamente limitados, o lobo entra em pânico, porém já era tarde e ele se encontrava envolto em tão delicada corda. Com raiva de ter sido preso, Fenrir então fecha a bocarra, decepando a mão e parte do antebraço direito de Týr. Logo o custo para prender a besta foi muito alto para Týr, mas o que lhe garantiu uma posição de grande destaque entre os deuses do panteão.

A morte de Týr é prevista no Ragnarok, onde ele irá lutar contra Garm, o cão de guarda do submundo. Essa batalha se mostra terrível, chegando ao ponto dos dois virem a perecer.


Para fãs de Heavy Metal, assim como esse quem vos escreve caro leitor, o deus Týr é encarnado hoje em muitas obras desse estilo de música, sendo que, uma banda das geladas Ilhas Faroe (região entre a Escócia e a Islândia, que é dependente da Dinamarca) adotou TYR como o nome do grupo, escrevendo canções sobre temática da mitologia nórdica. Banda essa que se encontra sem dúvida entre as minhas favoritas (Talvez no mesmo patamar de Blind Guardian, que é minha banda favorita!)


Banda de Folk/Pagan/Viking Metal TYR: Capa do disco How Far to Asgard, bandeira das Ilhas Faroe e foto do grupo.

Clipe de Hold The Heathen Hammer High do TYR


Outra presença desse deus na música moderna se encontra no álbum TYR, da banda inglesa de Heavy/Doom Metal Black Sabbath, o qual indico fortemente a audição desse disco.


Capa de TYR, o décimo quinto álbum de estúdio da lendária Black Sabbath (que tive a chance de vê-los em 11/10/2013 no Campo de Marte em São Paulo, com abertura de ninguém menos que Megadeth!). Nesse disco de 1990, a formação não contava com os vocais do carismático Ozzy Osbourne e nem com a voz inalcançável do saudoso Ronnie James Dio, mas sim com a potencia vocal de Tony Martin.   


Álbum TYR do Black Sabbath na integra.

Ao lado de Odin, Thor e Loki, Týr é um dos personagens da mitologia nórdica mais lembrados dentro da música pesada, sendo que, devido muitas bandas acabarem por adotarem a temática dos guerreiros deuses em suas canções, hoje temos algumas vertentes do Metal conhecidas como Folk, Pagan e Viking, que se utilizam de mitos, lendas e regionalismo para comporem suas canções. 

O Folk Metal é uma vertente que mistura regionalismo em suas canções, indo desde as letras, até ao uso de instrumentos diferenciados como gaitas de fole, violinos, tambores, flautas e trombetas, juntamente com guitarra, baixo, teclado e bateria, sendo que muitas vezes as letras são cantadas em línguas nórdicas ou germânicas. 

O Pagan Metal é uma vertente que se usa de cultura que não tem ligação com o cristianismo romano, ou seja, uma cultura é precedente a expansão cristã. Muitas pessoas confundem essa vertente com anticristianismo. 

Já o Viking Metal é uma vertente mais da região norte da Europa, sendo que a temática é toda baseada em mitologia escandinava. Assim como o Folk, o Pagan e o Viking podem se utilizar de línguas nórdicas ou mais exóticas em suas letras, assim como instrumentos mais regionais, porém existe uma tendência maior das músicas serem semelhantes ao Metal Tradicional ou ao Death Metal.