Conspirações de Garamond | Por que eu me familiarizo tanto com o Horror e Terror


Queridos sedentos pelo intangível, meus cumprimentos. Apelando um pouco para a sensibilidade dos
 meus caros leitores, gostaria de fazer algo que não costumo fazer: me abrir. Sim, isso mesmo, você não ouviu errado. O ato me abrir é algo que demanda um grande esforço. Não que eu não me abra todas semanas com vocês (afinal, tudo que escrevo é uma parte de mim), mas o aspecto emocional que irei expor por essas palavras é algo extremamente delicado e que por muitos anos me tirou o sono.

Sem mais delongas, apresento-lhes o motivo de me familiarizar tanto com o Horror e Terror. Antes de qualquer coisa, quero explicar-lhes por que o título da coluna não é "Por que eu amo tanto o Horror e Terror". Esse questionamento é de fácil resposta. Eu não amo o Horror e o Terror. Eles tiraram o meu sono por anos (explicarei mais a frente), me "fizeram" ser o esquisito por muito tempo e trouxeram toda sorte de tormentos que criança alguma merecia passar. Em nenhum momento eu os amei. Eu apenas aceitei, depois muito tempo e esforço, que eles são uma parte de mim. Sem eles, não existe Miguel. Sem eles, vocês estariam diante de outra pessoa e de outro colunista. Se eu sou o que sou hoje (partindo do princípio que tenho uma boa auto estima), devo isso a eles.

Outra reflexão que gostaria de explanar é o porquê de ter escrito "terror" e "horror" com letras maiúsculas. Se eu não tivesse colocado dessa forma, teria dado o mero significado (em termos de dicionário) das palavras. Esse não é, nem de longe, o meu objetivo. O "Terror" e "Horror" que me refiro vão muito além do sentido gramatical/morfológico. Eles são vivos. Eles são personificados. Eles tomam a figura de duas naturezas que nos aborrecem, atormentam, calam e trazem calafrios. Eles estão lá (as vezes apenas um, as vezes os dois juntos) quando você assiste um filme de terror. Eles estão lá quando você volta do trabalho  às 23:37 da noite e a rua está completamente deserta. Eles estão lá quando você precisa ir à sua garagem escura e empoeirada. Eles estão lá quando você deve atravessar um corredor na madrugada para usar o banheiro. Eles estão lá quando seus pés estão descobertos e você sente uma profunda insegurança. Eles estão lá. Se eles merecem alguma justiça nesse mundo, é a de receber uma letra maiúscula.

Acho que toda pessoa já sentiu medo de ter seus pés descobertos
Devemos saber diferenciar os dois. Enquanto o Terror é aquele que te apavora, é o circunstancial e o aterrorizante, o Horror é a repulsa, é a condição (ideia de algo mais permanente) e a aversão. Mesmo sendo distintos entre si, os dois costumam caminhar lado a lado.

Deixando de lado as considerações explicativas e terminológicas, gostaria de começar a falar um pouco da minha infância. Até os meus seis anos de idade, lembro de ter tido uma infância normal, nada muito diferente das demais crianças. As coisas começaram a ficar complicadas a partir dos sete anos. Nessa idade, comecei a ter pesadelos frequentes. O que diferia os meus pesadelos dos demais pesadelos infantis era o fato de que eles formavam histórias. Narrativas fechadas que se estendiam por algum período de tempo (algumas mais curtas e outras que, esporadicamente, duraram anos) eram construídas ao longo das noites. Esse "fenômeno" terminou aos meu 16 anos de idade.

Por nove anos eu fui atormentado. Chegava a ficar três dias sem dormir. Não sei se foi voluntária ou involuntariamente, mas parece que aos meus 16 anos eu "aceitei" essa realidade. Foi nessa mesma idade que comecei a escrever tudo que sonhava. Acredito que esse tenha sido o motivo para o fim dos pesadelos.

O Terror e o Horror passaram a ser partes essenciais minhas. Do momento que eu acordo ao momento que deito, eles possuem alguma participação no meu dia a dia. Não os amo, mas não nego que são parte de mim. Como muitos aspectos da vida que nos constroem, eles também me construíram a ponto de se tornarem fundamentais.

Como a primeira imagem mostra, sempre fui fascinado por imagens/fotos de florestas escuras
Agora, venho trazer-lhes uma notícia: nos domingos, passarei a publicar pequenas (ou não) narrativas de Horror/Terror divididas em pequenos capítulos. Esse é um projeto que venho conversando a algum tempo com outros colunistas do Novo Fã. Não quis colocar as minhas histórias nas Conspirações de Garamond pois creio que não seja o objetivo da coluna.

A partir desse domingo (ou do outro), vocês lerão a primeira narrativa da mais nova coluna do Novo Fã:  Nos braços de Morfeu. Nela, explicarei um pouco mais o nome e a idealização do projeto. Também irei apresentar o primeiro capítulo (ou não) da primeira "série". Será mais voltada aos amantes dos gêneros Terror, Horror e Mistério. Espero que vocês fiquem animados tanto quanto eu!

PS: Vocês não sabem como eu fiquei tentado em colocar gifs e imagens perturbadoras na coluna de hoje (achei que não seria conveniente da minha parte).