Thor's Day | Mitos e Lendas, qual a diferença?

Olá a todos, quinta-feira é o dia da semana que se homenageia o deus Thor proveniente da mitologia nórdica, então é um excelente dia para conversarmos sobre mitos e lendas.

Entretanto, antes de realmente entrarmos nas vias de fato e iniciarmos uma jornada pelo que podemos chamar de “pseudociência” dos povos antigos, todos nós temos necessidade de compreender o que são mitos e lendas.

Aposto que você caro leitor, se parar e tentar explicar qual a diferença entre mito e lenda vai acabar se enrolando, ou então, falando que as duas coisas são sinônimos. Porém, isso não é verdade!

Por que será que existe mitologia, que nada mais é do que um acervo de mitos, e não existe uma lendologia?... Creio que aqui já surge o primeiro ponto que pode enrolar qualquer pessoa, que não tem um conhecimento um pouco mais profundo sobre tal assunto.

Primeiro vamos diferenciar o que é mito e o que é lenda.

Mito: Um mito é uma tentativa de explicação de um fato, ocorrido ou mesmo observado e, que se usou de conhecimento prévio adquirido com vivências pessoais e tomados pelo senso comum como certos e reais e, que foram registrados em algum sistema de arquivos, com finalidade de propagar tal conhecimento. Ou seja, um mito é uma espécie de relatório de um fenômeno desconhecido. Sendo um relatório, então, toma-se como critério importante a melhor descrição possível do que foi observado, priorizando datas, locais e até mesmo nomes.

Lenda: Uma lenda também é uma tentativa de explicação de um fato desconhecido, porém ela difere do mito no critério de registro, ou seja, a lenda tem como grande característica ser uma manifestação popular de caráter oral. Com essa característica, de ser uma manifestação de cunho somente falado, acaba por haver muitas distorções no fato relatado, sendo que, muitas vezes as coisas são aumentadas (a famosa história de pescador). Portanto é uma característica das lendas não priorizarem datas, no máximo encontramos alguns dados como locais e nomes.

Então conhecendo agora essa diferença entre mito e lenda podemos tentar responder a nossa pergunta inicial “Por que existe mitologia, mas não uma lendologia?”

A resposta é simples, todos os povos tem uma mitologia (um registro mais organizado de fatos desconhecidos, onde se tentou explica-los com senso comum) e, também suas lendas, sendo que, o nome que se dá a um acervo de lendas é folclore. Ou seja, o folclore é um conjunto de narrativas populares que não se sabe a data de quando se iniciou.

Até aqui estamos bastante teóricos, então vamos agora ver alguns exemplos de mitos e lendas.

Autoria: Israel Rosslyn
Os dragões são exemplos de criaturas lendárias e não mitológicas, pois são inspirações de diversas criaturas em uma só, ou seja, mais uma alegoria do que uma descrição de uma criatura antiga. Por outro lado, muitos dizem que tem relação com tentativas de descrição de seres gigantes, baseados em fósseis de dinossauros, sendo que dessa forma ai sim os dragões ganham contorno de criaturas mitológicas.

Mito do deus do trovão:
Ele tem um nome e é Thor, tem uma genealogia filho de Odin e da giganta Jord, pertence ao grupo dos Aesir (deuses de características mais guerreiras) foi casado com Sif (teve outras esposas, mas Sif é a mais importante), a descendência de Thor é Lorrid, Thrud, Modi e Magni.

Thor usava um martelo chamado Mjölnir, forjado por anões, também usava luvas de ferro especiais conhecidas como Járngreipr para poder segurar o martelo e também o cinturão Megingjard que aumentava sua força em dez vezes.

Thor morre no Ragnarok (apocalipse nórdico) ao enfrentar a serpente de Midgard Jormungand (filha de Loki).

Aqui temos somente uma pequena descrição sobre o deus do trovão, além disso também existem diversas histórias sobre suas aventuras, batalhas e manias na Edda em Prosa, que é um documento islandês onde existem diversos versos que contam os mitos nórdicos. Logo podemos ver que existe uma riqueza muito grande na descrição de Thor. Em um mito também reside a possibilidade de haver dados reais. Thor na realidade é uma mistura da cultura Helenística com a nobreza nórdica, ou seja, Apolo (deus grego) + algum príncipe da escandinavia.


Lenda da Mula sem Cabeça:
Uma mulher (desconhecida), que teve um romance com um padre (desconhecido) e recebeu um castigo (seria de Deus?), e todas as quintas-feiras se transforma em uma mula decapitada e que no lugar da cabeça possui uma labareda.

A história da Mula sem Cabeça (não tem nem pé nem cabeça... não podia perder a piada!) é baseada em um castigo divino, em que uma mulher é punida por perder sua virgindade junto ao pecado contra à castidade do padre. Porém, não existem registros escritos de uma punição a uma mulher que provavelmente foi decapitada (daí a ideia de cabeça de fogo, pois quem era decapitado por um pecado, iria perambular pelo inferno sem a própria cabeça, por toda a eternidade), logo, a história foi sendo aumentada, pois era passada oralmente de pessoa para pessoa. Existe também o caráter regional da língua, ou seja, não só a história pode ser deturpada, mas os nomes também. No coloquial as pessoas se referem ao sexo feminino como “mulé” (mulher), e com o passar oral da lenda e também com o passar do tempo, essa palavra acabou ganhando contornos de mula (não estou comparando mulher com mula hein... só estou falando de como provavelmente surgiu esse termo na lenda).


Então podemos notar uma grande mudança no fato original (não se tem certeza se foi isso também) e, do fato que conhecemos hoje. Estudar uma lenda carece muito mais de conhecimento regional, linguístico e até mesmo de criatividade, para poder tentar explicar o que a lenda quer expressar, enquanto o mito já garante dados implícitos em sua escrita.