Conspirações de Garamond | Cinco brilhantes pintores modernos

Queridos sedentos pelo intangível, meus cumprimentos. Refletindo e pensando um pouco no que escreveria na coluna de hoje, procurei um tema que ainda não tivesse abordado. Após muito reflexão, decidi escrever a respeito de algo que muitíssimo me agrada: arte. Sendo mais específico, a pintura e os novos pintores modernos.

Se tem algo que eu não escondo é o meu profundo desagrado com a onda pós-moderna na arte. Aberta apenas aos que conseguem "entendê-la" (notem as aspas irônicas), esse movimento me parece, em sua maior parte, uma desculpa para "artistas" sem talento e sem virtude conseguirem mero sustento e visibilidade. Isto só ocorre pois algumas pessoas buscam colocar-se em um patamar de intelectualidade fútil e sustentar uma imagem "estudiosa".

Fiquem tranquilos, não vim falar de pós-modernismo (deixarei essa polêmica para outra publicação). O que eu realmente vim trazer-lhes, caros leitores, é uma série de cinco artistas dos dias de hoje (nossos contemporâneos) que deveras aprecio. Deixando de lado as considerações inicias, vamos ao que interessa.

1 - Eric Lacombe

"Le Chapelier Fou"
O primeiro de minha lista é o artista gráfico e pintor digital francês Eric Lacombe. Com percepções amargas, melancólicas e tristes, Lacombe parece sempre retratar a solidão e pesar humano. Usando-se de uma espécie de neo-expressionismo, seu traço pesado, manchado, marcado por um plano metafísico sem adornos e por técnicas de justaposição, este brilhante pintor me desperta sempre os mais curiosos momentos e sentimentos. Mesmo suas pinturas parecendo um tanto assustadoras e perturbadoras de início, elas acabam se tornando peculiarmente familiares e reconfortantes. Lacombe, trazendo a aflição humana, não poderia deixar de ser mencionado. 


2 - Jaeyeol Han

"Passersby, The boy without the glasses"

Jaeyeol Han é um pintor e ilustrador sul coreano. Conhecido por pintar e desenhar diversos rostos, Han sempre busca criar uma verdadeira paisagem dentro de um retrato. Com traços que lembram vagamente o impressionismo e usando-se de uma mistura e infusão de cores, ele sempre me passa uma ideia de transitoriedade e momento. Sempre que olho suas pinturas, enxergo-me mais fiel que qualquer fotografia. Han me transmite um pouco de sua própria individualidade em retratos alheios e, paradoxalmente, a pluralidade humana.

3 - Bastien Lecouffe-Deharme

"Bester"
Bastien Lecouffe-Deharme  é um ilustrador, pintor digital e novelista (sim, novelista!) francês. Conhecido por ter feito algumas ilustrações para o Card Game Magic: The Gathering, Bastien é a máxima em surrealismo mórbido e mitológico. Sua pinturas são extremamente detalhadas e pesadas. Elas sempre parecem nos contar alguma história trágica (o que faz muito sentido sendo ele um novelista) tirada do mais perverso contista grego. Usando-se das mais modernas técnicas digitais, este brilhante ilustrador consegue sempre me levar às mais profundas narrativas em minha mente.

4 - Jacek Yerka

"City is landing"
Se você quer ter uma verdadeira viagem pelo mundo fantástico dos cenários surreais, você deve procurar o pintor surrealista polonês Jacek Yerka. Usando-se de técnicas de expansão, detalhamento profundo, estranha leveza e total distorção, Yerka cria os mais esplêndidos cenários. Suas pinturas me despertam alegria e entusiasmo. Quando as olho, parece que vou embarcar na mais louca aventura. Seu conjunto de obras foi batizado de Yerkaland (em uma tradução grosseira, seria Terra de Yerka). Garanto-lhes que, ao entrarem em Yerkaland, experimentarão de uma confusa e agradável epopeia literária.

5 - Vladimir Kush

"Departure Of The Winged"
Por último (mas não menos importante), temos Vladimir Kush, um irreverente pintor surrealista russo. Usando-se do detalhamento fantástico e da mais bela ilusão de ótica, ele cria paisagens surreais que nos enganam ao primeiro olhar. Suas obras denotam sempre o movimento ótico e a contemplação dúbia. Sempre imagino que a mais alucinante miragem no deserto seria uma pintura de Kush. Em suas "brincadeiras" ilusórias, este excêntrico artista me transmite a sensação de estar próximo de algo intangível e fora da compreensão humana. Mesmo sendo claramente surrealista, ele gosta de identificar suas pinturas como "realismo de metamorfose" ou "fine art".