Conspirações de Garamond | Torne-se um Novo Fã de O Segredo Além do Jardim

Queridos sedentos pelo intangível, meus cumprimentos. Na coluna de hoje, gostaria de recomendar (sem spoilers) uma animação que me tira o fôlego toda vez que assisto:  O Segredo Além do Jardim (Over the Garden Wall).


Lançada pelo Cartoon Network, O Segredo Além do Jardim é uma série de dez episódios que contam a aventura dos irmãos Wirt e Gregory pelo Desconhecido (floresta que é o cenário principal da trama). Wirt, o irmão mais velho, é sempre preocupado, um tanto desajeitado e dramático. Greg, o mais novo, é sempre alegre, despreocupado e feliz com qualquer situação.

Wirt e Greg, respectivamente
É uma tarefa muito complexa recomendar essa brilhante animação sem deixar qualquer spoiler. Além de possuir uma trama que busca se revelar de maneira obtusa e apenas ao final, existe um grande mistério em volta de tudo. Para não estragar o prazer daqueles que forem assistir, tentarei atribuir qualidades à série sem revelar nada.

O Segredo Além do Jardim é um animação bucólica. Cada cenário assistido é uma obra de arte campestre. Em contraposição a seres humanos desenhados de forma levemente minimalista, os cenários são de uma graciosidade e detalhamentos poéticos. Cada cenário, take e "mudança de ato" me enche os olhos

Umas das muitas encantadoras cenas que demonstram os belos cenários

Além do bucolismo artístico, essa animação possui uma trilha sonora e musicalidade esplendorosas. A série é, em partes, do gênero Musical (como "Os Miseráveis", por exemplo). Cada música brilhantemente criada faz despertar múltiplos sentimentos em cada espectador. Deixarei logo abaixo as versões em português e inglês da música de abertura só para que vocês entendam o nível do desenho.




Outra razão que nos leva a assistir O Segredo Além do Jardim é o aprofundamento das relações humanas. É muito bonito ver como Wirt aprende a se aceitar e ser mais amoroso com seu irmão Greg e como outros personagens se desenrolam entre si na série.

Como se já não bastasse, a animação possui um mistério que circunda desde o começo. Não há como não assistir essa maravilha de uma vez.

Tentei entregar menos informação possível. A série é tão boa que se eu revelasse o simples nome de um personagem, já estaria estragando parte da surpresa. Deixarei uma análise crítica (com spoilers) para mais tarde. Agora, minha única função é fazê-los assistir essa obra de arte. Espero que você possam se tornar Novos Fãs de O Segredo Além do Jardim.

Terror no Espaço - História e Análise Crítica de ''Alien, O Oitavo Passageiro''

Terror no Espaço
Alien, O Oitavo Passageiro

 

A História:

Alien, O Oitavo Passageiro (Alien) é um filme britânico/americano de 1979 de ficção científica, terror e suspense. Dirigido pelo diretor novato Ridley Scott, o filme foi um mega sucesso de crítica e de bilheteria e vencedor do Oscar de melhores efeitos especiais.
O filme se passa no futuro bem distante e se foca numa pequena tripulação de um imenso cargueiro chamado "Nostromo". A nave recebeu um sinal de socorro vindo de um planeta próximo e a tripulação decidiu investigar. Lá eles descobriram uma nova forma de vida que mataria seis deles e marcaria para sempre o sétimo sobrevivente.
Espaço. A fronteira final. Estas são as viagens da nave Enter---. Ops, filme errado.


A Origem:

Em 1975, o filme "Estrela Negra" (Dark Star), escrito por Dan O'Bannon e estrelado pelo mesmo, passava pelos cinemas americanos. O filme contava a história de três astronautas que durante uma longa viagem são atacados por um alienígena.

O filme era originalmente um suspense, mas acabou virando uma comédia de humor negro. A atuação era péssima, os cenários decadentes e o alien era uma grande bola de praia! Após total fracasso na bilheteria, Dan O'Bannon decidiu escrever uma nova história de terror para chocar as pessoas.

Com a ajuda de Ronald Shusett, Dan conseguiu criar sua obra prima: Alien. Levaram o script para a Fox, mas o estúdio não se interessou. Tudo mudaria em 1977 com o mega sucesso de Star Wars, de George Lucas. Decidida a contiuar com mais filmes de ficção científica, a Fox aceitou o script de Alien. Assim nascia o filme.

Em 1978, a Fox contratou o novato diretor britânico Ridley Scott, que havia acabado de fazer seu primeiro filme os "Duelistas". Ridley aceitou o novo emprego e filmou o filme inteiro. Como só haviam sete tripulantes, a Fox foi atrás de sete atores capazes de enfrentarem o terror no espaço.

A Tripulação da Nostromo:

Não se apegue muito a eles. Seis deles morrem no filme. Adivinhe quem sobrevive.

  • Dallas (Tom Skerritt) - Capitão da Nostromo. - Líder nato e corajoso.
  • Ripley (Sigourney Weaver) - Oficial de Segurança. - Forte, Inteligente e Destemida.
  • Lambert (Veronica Cartwright) - Navegadora da Nostromo. - Esperta, mas covarde.
  • Brett (Harry Dean Stanton) - Engenheiro. - Folgado e amigável.
  • Kane (John Hurt) - Oficial Executivo. - Inteligente e curioso.
  • Ash (Ian Holm) - Oficial de Pesquisa. - Quieto e Misterioso.
  • Parker (Yaphet Kotto) - Engenheiro Chefe. - Forte, Teimoso e Corajoso.

 

O ALIEN e Outras Ameaças:

Importante aviso para a Humanidade. Se encontrar uma nave alienígena no meio de um planeta esquecido da galáxia, por favor deixe-a quieta e evite acordar o que tem lá dentro. Obrigado.

O principal elemento do filme é o monstro, simplesmente chamado de o Alien. A criatura foi encontrada na nave acima, que tem um dos melhores designs da história do cinema, no planeta de LV-426 (decorem este nome, pois será bastante mencionado em outros filmes).



A criatura tem início num grande ovo. Vários foram encontrados pela Nostromo dentro da Nave Alien. Quando alguma coisa se aproxima, o ovo se abre e libera a primeira forma do monstro: o Facehugger. O ovo que se abre no filme é feito, no seu interior, de estômago de vaca e um pobre coitado, nesse caso foi o próprio Ridley Scott, que usando as duas mãos iniciava o lançamento do Facehugger para fora do ovo.

A curiosidade matou o gato. Mas, nesse caso foi o próprio homem que iria se dar mal, muito mal.


O Facehugger parece uma mistura de um escorpião com uma aranha. Tem oito patas e uma longa cauda. Quando o ovo se abre, o Facehugger imediatamente salta em direção à vítima e inicia um longo processo de infecção. A criatura gruda por completo no rosto da vítima e qualquer tentativa de impedir a infecção fará com que o Facehugger estragule sua vítima antes de morrer no processo. O Facehugger foi feito de borracha e com pedaços de frango.

Este é talvez o beijo mais longo da história do cinema. Cruzes!

Já o Chestburster é talvez a transformação mais radical e violenta da evolução do Alien. A criatura parece uma larva com dentes e muito ágil. Ele simplesmente explode o peito da vítima infectada para poder iniciar seu processo de amadurecimento. A criatura foi feita de borracha e silicone. Era movida por um homem embaixo da mesa que era empurrado em cima de um skate.

É isso que acontece quando você come comida estragada no café da manhã.

Por fim, chegamos à verdadeira forma do Alien. A criatura tem a forma de um homem adulto, mas bem mais alto. Tem uma coloração preta e uma longa cabeça quase transparente. Possui uma longa cauda e quatro tubos que servem como seu pulmão. A criatura foi criada pelo genial e surreal artista plástico H. R. Giger, o mesmo criou o design insano da nave alien, com o intuito de chocar a audiência com sua forma grotesca, mas sensual. Dois atores foram utilizados para fazerem os movimentos do Alien.

Lindo e horripilante ao mesmo tempo. Não é recomendável te-lo como um bichinho de estimação.

Porém, o Alien não é a única ameaça no filme. Existe também a misteriosa e poderosa Companhia. No filme, a Companhia não aparece diretamente, mas é representada por um androide infiltrado na tripulação. Mostrando frieza e violência o androide só tem um único objetivo, trazer o Alien para a Terra para ser colocado na Divisão de Bio-Armas da Companhia. É incrível o momento da revelação do androide no filme e também mostrando que até mesmo o homem é capaz de fazer atos tão desumanos para fins horripilantes.

Isso que eu chamo de exagero com muita lactose. Imagina as coitadas das vacas que produziram tanto leite para uma cena só.

Análise Crítica:


Alien, O Oitavo Passageiro é talvez um dos melhores filmes de terror de todos os tempos. A história é misteriosa e fantástica. Os cenários são incríveis. A música é horripilante, mas poderosa do início ao fim. A iluminaçào é fraca, mas ajuda a esconder a forma completa do monstro e de criar excelentes sustos. Os efeitos especais são totalmente práticos e realistas. A introdução dos personagens é muito boa e os apresenta de um jeito bem humorado e humano. A atuação de todos os atores é fenomenal. Ninguém decepciona ao longo de todo o filme. Por fim, a arte surreal de H.R.Giger deixa qualquer um em choque, principalmente nas cenas de suspense, que são bem poucas, mas tensas. A violência é bastante explícita, principalmente na cena da cozinha.

De um modo geral, Alien, O Oitavo Passageiro é um filme obrigatório para assistir sozinho (mais recomendável) ou com a família. Um filme quase perfeito, porém tem alguns poucos erros como a lentidão do filme em apresentar todos os personagens e de finalmente revelar a criatura. Outro ponto forte, foi a apresentação do misterioso Space Jockey. De onde veio? Qual era sua missão? Porque carregar centenas de ovos em sua área de carga? Essas são algumas das centenas de perguntas que só seriam ser mais ou menos respondidas no filme prequela "Prometheus".

Eis outra pista que manda qualquer curioso embora. Porém, no caso da Nostromo, já não havia mais escapatória.

 Algumas Curiosidades:

  • As luzes azuis que cobriam os ovos na nave alien foram emprestadas pela banda The Who, que estava gravando seu próximo álbum no estúdio ao lado do filme Alien.
  • Na cena de discussão entre Ripley e Parker, bem no final do filme, ambos os atores haviam brigado antes da cena e Ridley Scott aproveitou a confusão para montar uma cena tensa entre os personagens.
  • Para fazer Jonesy, o gato, ficar assustado com a presença do alien, a produção colocou um pastor alemão atrás de uma tela e quando iniciaram a filmagem, retiraram a tela e o gato reagiu à presença do pastor alemão.

Nota Final - 10 (Mesmo com um início lento e demorado, isso não atrapalha a perfeição que é o terror e o suspense que existe no filme. Apreveite 100%).

Bibliografia:






Dr. Slump - Coluna do Lucidi



Olá Pessoal!
Na minha primeira coluna aqui no Novo Fã eu já havia dito que a primeira obra de quadrinhos que despertou em mim a vontade de ser desenhista foi Dr. Slump. Agora vou falar um pouquinho mais sobre essa obra, já que temos grandes novidades sobre ela... mas essa novidade deixarei para o final!



Dr. Slump é um mangá de comédia criado por Akira Toriyama. Pra quem não ligou o nome do artista à obra, Akira Toriyama é o criador de Dragon Ball! O tio Akira, como o chamo carinhosamente, tentava emplacar algum de seus quadrinhos na revista semanal mais famosa do Japão, a Shonen Jump, desde 1978, mas só conseguia publicar histórias com um só capítulo, ou com poucos capítulos. A história mais aprofundada do tio Akira eu contarei em uma outra coluna, agora vamos focar no tema principal.
Em 1980 ele criou Dr. Slump e a história agradou muito os editores da Shonen Jump. A série de comédia contrastava com muitas histórias da revista, que, por ser focada no público adolescente masculino, publica muitas séries de ação e aventura geralmente sérias. Dr. Slump é uma obra de comédia pastelão, com humor muito escrachado e absurdo, exagerado e ridículo, misturando até cocô... isso mesmo, COCÔ!

A história se passa na Vila Pinguim, uma espécie de cidade pequena muito afastada das metrópoles. Seus abitantes levam uma vida simples e têm personalidades bastante peculiares e engraçadas. A Vila Pinguim conta com delegacia de polícia, escola, hospital, banco, estabelecimentos comerciais e outros locais "comuns".

Na vila mora o gênio chamado Sembe Norimaki, um doutor capaz de inventar máquinas malucas que fazem qualquer coisa, como uma máquina fotográfica que revela o passado e o futuro das pessoas, uma panela elétrica que transforma fotos ou desenhos em realidade, um tapete capaz de levar as pessoas para dentro de histórias de livros e outros inventos sensacionais. Um dia o Doutor Sembe, o famoso doutor "Slump", resolve criar uma androide perfeita, uma robô com formas femininas, aparência adolescente, e idêntica à pessoas reais. Essa robô é chamada de Arale Norimaki. E é assim que a história de Dr. Slump realmente começa.

Arale é a personagem principal, uma androide que tem personalidade e sentimentos humanos, e, além disso, possui uma força descomunal, capaz de quebrar uma parede, por exemplo, com um soco fraco! Ela também é míope, por isso usa óculos. O doutor Sembe tenta corrigir a força extraordinária e a miopia de Arale, que começa a causar algumas confusões por causa da inocência da androide, mas não obtém sucesso, ela continua forte e míope. Sembe apresenta Arale ao mundo como sua irmã mais nova, para não parecer velho demais. Arale é inscrita na escola da Vila Pinguim e lá conhece seus melhores amigos e companheiros nas histórias, Akane, Pisuke e Taro. O doutor Sembe também se apaixona pela professora de Arale, Midori Yamabuki. Logo no começo de sua jornada, outro companheiro se junta à turma de Arale, o Gatchan, uma espécie de anjinho com poderes elétricos que come quase qualquer coisa. Gatchan nasceu de um ovo encontrado por Sembe em uma viagem no tempo.

Arale e sua turma embarcam em aventuras inesperadas e engraçadíssimas. O enredo do Mangá pode parecer simples, mas o Mestre Akira Toriyama consegue prender a atenção do leitor e explorar ao máximo a personalidade de cada personagem e os aspectos da Vila Pinguim, que pode parecer pacata no começo, mas está sempre agitada.
Bom, não vou me aprofundar mais na história para não dar spoilers!

Dr. Slump foi publicado no Japão de 1980 a 1984 e possui 18 volumes encadernados. A série virou anime, com 243 episódios, produzidos pela Toei Animation e exibidos pela TV  Fuji de 1981 a 1986. O anime ganhou um remake com 74 episódios, exibidos de 1997 a 1999.
A obra foi um enorme sucesso no Japão e é lembrada até hoje por lá nas listas de melhores mangás de todos os tempos. Podemos até dizer que, se não fosse o sucesso de Dr. Slump dificilmente Dragon Ball seria lançado em 1984, já que a obra projetou Akira Toriyama no cenário do mangá japonês. Em Dragon Ball, inclusive, foi feito um crossover com a participação dos personagens de Dr. Slump, onde Goku vai parar na Vila Pinguim lutando contra o General Blue.

No Brasil Dr. Slump foi publicado pela Editora Conrad em 2002, mas devido ao fracasso comercial a série foi cancelada na edição 14 (formato meio tanko), o que corresponde à edição número 7 japonesa.
Na minha opinião o fracasso comercial de Dr. Slump no Brasil, em 2002, foi devido à falta de divulgação da obra e do costume do brasileiro em ler mangás de comédia. Os mangás famosos na época eram Dragon Ball e Cavaleiros do Zodíaco, um contraste de gênero muito grande em relação à Dr. Slump. Mesmo assim era meu mangá favorito e a descontinuação me deixou muito frustrado... o que não me empediu de ler o mangá completo em espanhol... MAS não tenho mais motivo para tristeza!
Em julho deste ano, no evento Anime Friends, a Panini anunciou A VOLTA DE DR. SLUMP às bancas do Brasil! Você pode estar pensando que agora a notícia já é velha, pois estamos em agosto, mas o mangá ainda não tem previsão de lançamento. Acredito que só será lançado em 2017, por conta do calendário da editora e de publicações que estão na fila para serem lançadas.


Na minha opinião Dr. Slump tem tudo para ser um sucesso no Brasil pois, diferente de outras épocas, agora o brasileiro está acostumado a ler quadrinhos e mangás de diversos gêneros diferentes e a divulgação ficou melhor e muito mais fácil por meio da internet, sem contar que a obra é de ninguém menos que Akira Toriyama!
Agora é esperar e torcer para que Dr. Slump seja muito bem tratado pela editora, com uma publicação de qualidade e grande distribuição!

E você, o que espera de Dr, Slump? Escreva nos comentários!
Até a próxima Coluna do Lucidi!

Just 4 Fã | Votar Para Mudar

Saudações fraternas, ouvintes do podcast e leitores assíduos das colunas e textos da equipe NOVO FÃ.



Eu Sou Dante MarioloPodcasterColunistaMestre de RPG e Futuro Advogado. Pretendo estar presente em todas as suas sextas-feiras, com um novo texto para te divertir.


VOTAR PARA MUDAR




Finalmente meus queridos Fanzers e Fanzetes, chegou a época mais aguardada que passa pela nossa vida a cada 4 anos. Sim... Estou falando das maravilhosas eleições municipais e junto com elas, o horário da propaganda eleitoral televisiva.
Embora por muitas vezes, ficamos decepcionados com todas as mentiras e piadas apresentadas, devemos nos empenhar em conhecer os candidatos para assim, votarmos de forma consciente e tentarmos mudar a situação política atual.




 Muitos ameaçam anular o seu voto ou até mesmo justificar e faltar nesse momento tão importante, mas não podemos ser tão levianos de dar as costas para a situação e trata-la como se não houvesse melhora, pois ela existe.
No dia 02 de Outubro de 2016 se esforce para fazer a diferença e mudar o sistema.
Existem varias pessoas (principalmente entre os novatos), que estão com grande força de vontade para fazer um trabalho justo eficaz para a sociedade, mesmo porque, se não tirarmos os velhos ideais corruptos das "cadeiras" governamentais e da nossa própria cultura, continuaremos estagnados na depressão.




"Uma eleição é feita para corrigir o erro da eleição anterior, mesmo que o agrave."
Carlos Drumond de Andrade

Thor's Day - Týr o deus da coragem, justiça e batalha - Um dos mais lembrados no Heavy Metal.

Devido ao fato de estar com o braço direito engessado, resolvi falar de um deus nórdico, que acabou por passar por uma irritação semelhante a essa que passo hoje!

Então, nesse dia de Thor, vou falar sobre um dos meus deuses favoritos, o deus da coragem, da luz, da justiça e da batalha... o poderoso Týr, ou Týrr , ou Tywaz, ou ainda Ziu.


Sacrifício de Týr, arte por John Bauer em 1911.


Meu braço engessado empunhando o glorioso machado nórdico - Só pra descontrair :)

Týr é um Aesir (deuses ligados a fenômenos naturais - a guerra era considerada um fenômeno natural), que possui uma ligação direta com um dos filhos de Loki, o gigantesco lobo Fenrir, que discutiremos a seguir. Porém inicialmente vamos montar uma ficha técnica desse deus.

A genealogia de Týr, segundo a Edda Poética, se dá proveniente de Hymir, o que lhe garante o posto de ser mais antigo que Odin, sendo que, para algumas vertentes, ele é considerado como o deus patrono dos nórdicos. Já na Edda em Prosa, ele aparece como sendo filho de Odin com Frigga, a deusa do amor, o que lhe coloca em mesma posição de Thor, como um príncipe dentre o panteão. 

Logo a única certeza que temos em relação a esse deus é que sua fama é muito antiga, sendo que o mesmo tem uma runa que o simboliza. Essa runa geralmente é encontrada em armas como espadas, lanças e machados utilizados em batalhas. O formato dessa runa é uma seta apontando para cima.

Tiwas a runa que representa Týr

Existe também o fato de que Týr é uma alusão a Ares na mitologia grega e a Marte na mitologia romana, o que lhe trouxe grande apelo entre as pessoas, que necessitavam de uma figura forte para trazer coragem frente às guerras. Devido a esse fato, Týr ganhou muita popularidade, sendo que hoje, ainda é relembrado seu mito no terceiro dia da semana nos países de línguas anglo-saxônicas, como o inglês por exemplo - Tuesday ou em sueco e norueguês - Tisdag.   

Agora vamos discutir o fato mais icônico de Týr, um fato presente também em Odin e Mimir, que é o sacrifício de uma parte do corpo. O chefe do panteão sacrificou o olho direito e se auto-imolou na Yggdrasil, em busca de conhecimento supremo e Mimir uma orelha. Entretanto o corajoso Týr teve parte de seu antebraço direito decepado pela ira de Fenrir.

A lenda conta que Fenrir não podia ser contido por nada, quaisquer fossem os grilhões que tentassem conter o lobo titânico, acabavam se esfarelando frente a monstruosa força da besta. E sabendo da importância que Fenrir teria no Ragnarok, o panteão resolve pedir aos anões que construíssem algo mágico para evitar que o lobo se soltasse e trouxesse o crepúsculo dos deuses antes do esperado. Dessa forma os anões modelaram e teceram uma corda de seda que não poderia ser rompida facilmente, sendo mais poderosa que qualquer corrente já feita. Essa corda recebeu o nome de Gleipnir e era feita de coisas que não poderiam existir, porém como os anões de Svartalfhein eram conhecedores de coisas estranhas, os deuses resolveram dar uma chance a Gleipnir.

Gleipnir era composta por seis coisas distintas, sendo elas: o som do passo de um gato, o fio da barba de uma mulher, as raízes de uma montanha, os tendões de um urso, a respiração de um peixe e a saliva de uma ave. Todas essas coisas juntas garantiam a essa corda dos anões uma poderosa mágica que permitia a mesma ser praticamente indestrutível.

Então os deuses atraíram o monstruoso lobo para uma ilha, conhecida como Lyngvi bem no centro do lago Amsvartnir e lá mostraram a corda para Fenrir, que ao vê-la lança um olhar de deboche, permitindo que os deuses o envolvam na mesma, porém, com finalidade de amansar a besta, Týr dá um passo a frente e coloca seu braço dentro da boca de Fenrir, que a mantém aberta como se estivesse a zombar dos deuses.

Então, notando que a corda começou a apertar e seus movimentos ficaram extremamente limitados, o lobo entra em pânico, porém já era tarde e ele se encontrava envolto em tão delicada corda. Com raiva de ter sido preso, Fenrir então fecha a bocarra, decepando a mão e parte do antebraço direito de Týr. Logo o custo para prender a besta foi muito alto para Týr, mas o que lhe garantiu uma posição de grande destaque entre os deuses do panteão.

A morte de Týr é prevista no Ragnarok, onde ele irá lutar contra Garm, o cão de guarda do submundo. Essa batalha se mostra terrível, chegando ao ponto dos dois virem a perecer.


Para fãs de Heavy Metal, assim como esse quem vos escreve caro leitor, o deus Týr é encarnado hoje em muitas obras desse estilo de música, sendo que, uma banda das geladas Ilhas Faroe (região entre a Escócia e a Islândia, que é dependente da Dinamarca) adotou TYR como o nome do grupo, escrevendo canções sobre temática da mitologia nórdica. Banda essa que se encontra sem dúvida entre as minhas favoritas (Talvez no mesmo patamar de Blind Guardian, que é minha banda favorita!)


Banda de Folk/Pagan/Viking Metal TYR: Capa do disco How Far to Asgard, bandeira das Ilhas Faroe e foto do grupo.

Clipe de Hold The Heathen Hammer High do TYR


Outra presença desse deus na música moderna se encontra no álbum TYR, da banda inglesa de Heavy/Doom Metal Black Sabbath, o qual indico fortemente a audição desse disco.


Capa de TYR, o décimo quinto álbum de estúdio da lendária Black Sabbath (que tive a chance de vê-los em 11/10/2013 no Campo de Marte em São Paulo, com abertura de ninguém menos que Megadeth!). Nesse disco de 1990, a formação não contava com os vocais do carismático Ozzy Osbourne e nem com a voz inalcançável do saudoso Ronnie James Dio, mas sim com a potencia vocal de Tony Martin.   


Álbum TYR do Black Sabbath na integra.

Ao lado de Odin, Thor e Loki, Týr é um dos personagens da mitologia nórdica mais lembrados dentro da música pesada, sendo que, devido muitas bandas acabarem por adotarem a temática dos guerreiros deuses em suas canções, hoje temos algumas vertentes do Metal conhecidas como Folk, Pagan e Viking, que se utilizam de mitos, lendas e regionalismo para comporem suas canções. 

O Folk Metal é uma vertente que mistura regionalismo em suas canções, indo desde as letras, até ao uso de instrumentos diferenciados como gaitas de fole, violinos, tambores, flautas e trombetas, juntamente com guitarra, baixo, teclado e bateria, sendo que muitas vezes as letras são cantadas em línguas nórdicas ou germânicas. 

O Pagan Metal é uma vertente que se usa de cultura que não tem ligação com o cristianismo romano, ou seja, uma cultura é precedente a expansão cristã. Muitas pessoas confundem essa vertente com anticristianismo. 

Já o Viking Metal é uma vertente mais da região norte da Europa, sendo que a temática é toda baseada em mitologia escandinava. Assim como o Folk, o Pagan e o Viking podem se utilizar de línguas nórdicas ou mais exóticas em suas letras, assim como instrumentos mais regionais, porém existe uma tendência maior das músicas serem semelhantes ao Metal Tradicional ou ao Death Metal.

Wanna be a Wonder Woman | Rio 2016 é das mulheres

Primeiro, gostaria de pedir desculpas por não ter escrito nada semana passada mas, tinha algumas coisas tomando conta do meu tempo e não pude estar aqui com vocês e como este semestre eu peguei milhões de coisas para fazer, vou combinar que postarei a cada quinze dias, ok?

Vamos lá!

Rio 2016 é das mulheres, sim!

Quando pensei em falar sobre o papel da mulher nos Jogos Olímpicos a seleção feminina ainda estava na competição pelo ouro e deixando o futebol (milionário) masculino no chinelo. Mas, nem tudo são flores e as meninas perderam e toda aquela admiração que líamos nas redes sociais sumiram: ou pior vieram as críticas. Oras bolas… Quer dizer que enquanto as meninas estavam ganhando elas deveriam ensinar como se joga bola, daí perdem e o futebol delas é “fraquinho”?

Lógico, todos nós estávamos esperando a tão sonhada medalha de ouro e o assim, carimbar o magnífico talento de Marta. A mulher é craque, a mulher joga muita bola, tem mais prêmios que o Neymar e mais gols marcados que o Pelé… e não ganha nem um terço do que o pessoal que estão na Europa. Triste, né? Mas isso não é novidade. E pior, para cada uma delas estarem lá na seleção, quando começaram a jogar precisaram treinar com os meninos porque no Brasil não tem escolinha feminina de futebol (bom, na verdade não se não tem nenhuma, mas se tiver deve ser pouquíssimas) e a falta de financiamento faz com que muitos talentos desistam antes do reconhecimento.



E ainda tem gente que quer comparar a seleção feminina com a masculina e cobrar o mesmo desempenho e isso não rola! As oportunidades oferecidas para a menina ou para o menino que quer jogar bola são completamente diferentes. Por isso, temos sim de aplaudir Marta, Formiga e todas as meninas que lutaram e lutam para fazer o futebol feminino ser reconhecido no país – que insiste em sem muito machista não valorizando todo esse potencial.

Também tivemos a judoca Rafaela, a primeira mulher negra a subir no pódio – e o mesmo aconteceu com a nadadora estadunidense Simone Manoel e logo em seguida Lia Neal, também dos EUA, além da síria Yusra Mardini, refugiada que nadou cerca de três horas para rebocar um barco e salvar sua família. Na ginástica tivemos o fenômeno Simone Biles, conquistando 4 ouros e nossos corações <3, sendo alvo de comparações (com homens, é claro!). Mas ela foi categórica: “Não sou a próxima Bolt e nem Phelps. Sou a primeira Simone Biles!”



O mundo não está preparado para o talento de novas Simones, Martas, Rafaelas, Barbaras, Maurrens e Yusras. Todas continuam ganhando menos patrocínio e menos atenção, com se o talento de cada uma não valessem audiência e nem o respeito do público.

Esperamos que neste ano esta situação mude. Não falo de confete (igual pro Neymar) e homenagens, mas sim de dinheiro, reconhecimento e oportunidades!


Fala Kaio... | Demolidor 2ª Temporada (Crítica)

Sei que a temporada já foi lançada faz algum tempo, sei que não fiz a crítica da primeira também, mas acho válido eu expor a minha humilde opinião...






Olá meus queridos leitores, como vocês estão? Preparados para ler uma crítica descontraída e com spoilers da segunda temporada de Daredevil?

Pois bem, primeiramente peço desculpas por não ter feito o texto sobre a primeira temporada, mas eu nem tinha o site nessa época. Porém preciso dizer algumas coisas sobre a primeira antes de começar.

DEMOLIDOR | 1ª TEMPORADA 


  • - Ótima direção, com planos sequencias absurdos e cenas de ação bem coreografadas.
  • - Sobre as cenas de ação: Muitas vezes é exagerada demais, porém visualmente é muito foda.
  • - Apesar de já ter visto o questionamento "vigilante que não mata" em arrow, gostei da maneira mais brutal que só a netflix consegue mostrar.
  • - Wilson Fisk é um vilão perturbador, e a atuação do Vincent D'Onofrio é realmente convincente. Essa forma de mostrar que o rei do crime está constantemente se controlando é realmente perturbador.
  • - Foggy é o melhor kickside ever. 

DEMOLIDOR | 2ª TEMPORADA 



Dito esses cinco pontos essenciais sobre a primeira temporada, posso começar a crítica propriamente dita. 
Todo o carinho dos fãs pela série foi devido a brutalidade tipica das grandes séries de quadrinhos mostrada na primeira temporada. 
O papel de vigilante foi mostrado com uma melancolia e um peso ao ponto de você se sentir mal por estar apoiando os atos do Matt, e toda essa carga emocional é mantida na primeira metade da temporada. Fiquei curioso ao saber que o Punisher estaria na série, justamente por esse lado brutal, e ainda bem que meu hype foi correspondido de maneira positiva.
Eu ADOREI, FISSUREI, BERREI em cada dialogo entre o demolidor e o justiceiro, a primeira metade da temporada foi marcada por esses conflitos ideológicos, algo que é muito presente na sociedade brasileira atual, prender ou matar. Essa experiencia, para mim, não foi algo tão conflitante porém, imagino alguém que não tenha tanta convicção sobre os lados nessa conversa.
Frank Castell foi um marco na história dos super heróis no cinema e televisão. 

Nossa Kaio, mas que exagero não? 

O gênero super herói sempre foi visto pelo publico "Adultão" de forma pejorativa e por ser fantasioso, já ouvi muito que o que é dito em tela não tem nada a ver com nossa realidade, nada pode ser aprendido. E a primeira metade de Demolidor é um tapa na cara desses "Adultões".

E para finalizar essa parte, vou deixar como obrigação assistir novamente o episódio 3. E para exemplificar a grandiosidade da direção dessa série, confira um simulação de plano sequencia ABSURDA, nesse mesmo episódio 3

Nota: Plano sequencia é uma cena bem longa e que não possui cortes, sendo assim extremamente complexa de se gravar. Neste caso, isso é uma simulação de plano sequencia pois em determinados momento em que a câmera chega muito perto de algo, um corte é realizado.






Mas nem tudo são flores, 

Vou comentar bem rápido sobre essa segunda metade pois esse texto já esta bem longo.
Para mim, a Electra foi o ponto baixo da temporada pois agregada a ela veio todo um cenário confuso e ,em certo ponto,  fantasioso demais comparado ao que o punisher trouxe.

Para que aquele buraco? Por que Matt simplesmente vira um novo personagem quando Electra aparece? Por que Matt virou tão egoísta?

O romance entre Karen e o protagonista foi algo sem sal visto que ela e Foggy tiveram mais momentos fortes. Foi algo forçado, e a unica motivação foi o famoso "Pq os roteiristas mandaram".
Os diretores e roteiristas tiveram uma grande oportunidade de mais diálogos bacanas e cenas marcantes no julgamento de Frank Casttle, mas eles prefeririam colocar o protagonista para fazer cenas Arrow de ação.

Nota: Cenas Arrow de ação são longas filmagens onde o protagonista luta com dez milhões de ninjas ou capangas em busca de informações sobre o mistério da semana, que ao final resulta em nada ou em algo muito pequeno.


E infelizmente, por causa dessas cenas, Demolidor ficou com uma pegada de serie procedural, como se tivesse 23 episódios. Isso resultou em um final meio méh...

Não sou contra esse lado mistico, até certo ponto mágico de demolidor. mas é que nessa parte da temporada estava muito mais legal acompanhar o que Foggy faria no juri do que as cenas de amorzinho do Matt.

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Fala Kaio... Sua opinião final


Essa segunda temporada de Demolidor veio com a proposta de trazer personagens conhecidos do universo Marvel, de maneira geral mais acertou do que errou nessa atitude.
Apesar da parte Místico-Electra ser um pouco destoante da série como um todo, todo o arco de Frank Castell foi de ficar de queixo no chão, principalmente o episódio 3. Por outro lado Foggy Nelson se mostrou mais uma vez um personagem essencial na série, não por ser o alívio cômico mas por ser a visão de uma pessoa com pensamento mais racional no meio dessa loucura. 
Vou deixar uma frase desse grande personagem, e lembrar de uma fala em específico é bastante complicado para mim.

"Você não pode criar um perigo e querer nos proteger dele mesmo, isso é insano"

De 0 á 100?

De 0 á 100, 93 planos sequencias em um corredor seguindo de discussões entre demolidor e Frank Castell.




ZERO | Ep.01 ''Você é livre demais'' (...) Sobre o amor e outras paradas


"As abelhas zanzam em zumzumzum incessante ao sapear entre as azaleias"... "Azaleia! É isso! Isso mesmo!". Exclamou um dos garotos da sala, ao impedir o tradicional monólogo biológico do Prof. Juvenal, que era tradicionalmente esperado em todo início de suas monótonas aulas.
_ MARCELO! Alguma observação? _ retoricamente pergunta o mestre.
Marcelo encolheu-se em sua cadeira como qualquer cara de 16 anos faria ao ser pego de calças na mão, passando vergonha no meio da galera. Fitava o canto inferior direito de seu olhar ao sentir seu rosto esquentando pouco a pouco por ficar sem jeito.
Exatas três carteiras à frente do Marcelo viravam dois olhos castanhos, com sobrancelhas perfeitas que... Riam. Riam do rapaz e do ridículo que ele acabara de protagonizar. O par de olhos e o de sobrancelhas tinham nome: Ariana. Um cabelo de cor escura que escoava por dois ombros simétricos e aparentes, mãos delicadas e pequenas, unhas sem esmalte e... E... Ponto.

"Sabe qual é o seu problema? Você é livre demais! E nesse seu mundinho em que tudo dá certo para você, tudo que tá ao seu redor passa feito rolo compressor em cima das vontades dos outros!"

Você, com certeza... Já consegue adivinhar qual a flor favorita da moça... Não? Pois é. O Marcelo também já sacou isso desde a semana passada, quando ela pisou na escola com um belo exemplar da flor-lilás na mão esquerda e um Augusto Cury na outra.
Ah, quando o moleque fitou aquela mina... Parecia música do Strike, ela chegou, quase que matou, foi daquele jeito, todo o baile parou... Mas não era Jota Quest!? Sei lá, a real é que foi uma confusão dele pra dentro, que lhe engolia as entranhas a cada passo da "garota nova" no corredor.
O sinal toca anunciando o fim da aula de Biologia. Ao abrir a mochila, Marcelo sente uma mão que lhe cutuca o ombro e uma voz dizendo: "Relaxa, não liga pra ele.".
Voz doce, branda, leve, calma...Toda ela bela..."Ah, tá. Beleza." responde ele ainda sem pensar no que dizia, mas surpreso... Surpreso pela abordagem dela. Ele mal se vira e já dá de cara com a Ariana envolvida nos braços do Rodrigo, que engata nela um beijo daqueles de novela em plena troca de sala às 10 da manhã.
Claro que o Marcelo ficou de cara no chão. "Já era, acabou, esquece, não tem jeito.". Era o menino partido de cara e coração. Para sua surpresa, nos dias seguintes, ele ainda a veria nos braços do Rodrigo, do Paulo, do André... Mas o engraçado disso tudo é que aquele olhar de "eu sei o que você tá pensando"... Esse só o Marcelo tirava da Ariana. Mas era isso. Isso e "nada" mais. Nem eram tão próximos, mas algo ali prenunciava a existência de alguma coisa recíproca... E indefinida.
Ainda era quarta-feira na aula de Educação Física quando, ao tomar mais um gol, o Marcelo recebeu um daqueles olhares dela e foi até abeira da quadra, onde ela estava... Ele não disse nada... Se aproximou e tocou os lábios dela com os seus. Foi rápido, repentino, inesperado. Ambos não sabiam o que acontecera e, muito menos, o que fazer.
"Cara! Puta que pariu! Volta logo pro gol!". O dever chamou e Marcelo voltou ao jogo. É...Voltou de corpo, porque a mente já tava voando longe... Bom... Nem preciso dizer que o Marcelo tomou mais cinco gols só naquela aula.
Dali em diante Ariana e Marcelo permaneceram incomunicáveis. Ambos seguiam naturalmente suas rotinas, mas... Não se falavam nem se entreolhavam... Nada... Nada. Aliás, o que havia antes já era muito próximo do nada... Agora eles estavam perto do negativo.
Foi na sexta quando ele comprou uma flor roxa, tomou coragem e, já na saída, em frente ao portão, virou cara a cara com a moça e perguntou: "Nunca sentiu falta... Nem ao menos um pouco... Daquela sensação de criança, que parece dava olhos pro coração. Que para sentir, bastava ver? Nem um pouco?" indagou ele, quase retoricamente, estendendo a flor em direção à moça.
"Não! Não senti." ela disse ao virar o rosto.
Marcelo sentia uma lágrima nascer em cada um de seus olhos e incubar, crescendo... Mas antes que elas rolassem, ele soltou: "Sabe qual é o seu problema? Você é livre demais! E nesse seu mundinho em que tudo dá certo para você, tudo que tá ao seu redor passa feito rolo compressor em cima das vontades dos outros!".
"Quem você pensa que é? Como pode falar assim comigo!?" gritou Ariana ao chamar a atenção dos poucos que se encontravam em frente à escola.
Marcelo caiu em si. Havia se encantado por alguém que nem mesmo conhecia. Ela tinha razão. As abelhas zanzam e o garoto derrama ao chão a azaleia órfã que trazia. Era ali no portão o fim do que nem pôde começar. Enfim, ela virou e foi embora. Na segunda-feira já não mais apareceu na escola. E o Marcelo ficou ali, na mesma escola, no mesmo portão cheio de interrogação, como se fosse charada... "O que foi que eu fiz!?". Vai a moça, e o amor fica à força. E por consequência... Outras paradas.

(Daniel Fernando)